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A rebelião

Todos estamos indignados com aquilo que veio agora a lume por mor de uns episódios escabrosos no Centro Hospitalar de S. João, no Porto.
Todos e eu também.

Toda a gente verbera sobre o caso e eu mesmo já estive para o fazer, mas com acuide.

As massas sobrepõem-se. Quando um assunto vem à liça todos se preocupam com algo que eventualmente tinham conhecimento mas que calaram.

Tenho um historial de internamentos desde há trinta e dois anos e consequentes tratamentos que foram exactamente inaugurados naquela unidade da capital nortenha.
Outros se sequiram nalguns hospitais do país e também voltei ao S. João.

Já ali convivi com aqueles roedores que muito se multiplicam. Nos parapeitos das janelas em Ortopedia tinham alimento espécies de aves. Eventualmente por mor disso os tais roedores, os ratos, viviam ali. Aquando o menor ruído, nas infindas noites, os animaizitos desciam e conviviam connosco, quer pelas mesinhas de cabeceira, onde temos imensos utensílios, inclusivamente alimentares, quer no chão.

Numa das minhas hotelisações ali, apareceu um artigo num semanário de âmbito nacional que dava conta disso.

Por parte de pessoal que ali desempenhava as suas funções, houve quem aduzisse que fora eu o denunciante. Nunca conformei nem infirmei.

Entre diversos actos escabrosos […] em todo o meu périplo hospitalar, tive negligência médica que marca toda a minha vida. Dava para meia dúzia de livros tipo bíblia.

Uma das vezes, numa unidade minhota de referência desta zona, dei entrada num domingo bem perto da meia noite, onde fiquei completamente abandonado e fui encaminhando para internamento às primeiras horas de terça.

Não tenho só maus exemplos que me vitimaram – tive também uns cinco ou seis por cento positivamente memoráveis – quer vividos, quer presenciados e nem sei porque debito estes exemplos para ilustrar esta reacção a uma rebelião. Sei que o texto se tornaria enorme. E não foram os piores, adianto.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico).