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Congresso de autarcas luso-franceses em Paris debateu desafios da Europa

© bom dia

A cerca de um ano das eleições europeias, os desafios da Europa dominaram o congresso anual da Cívica, a associação de autarcas de origem portuguesa em França, que se reuniu este domingo em Paris.

Num congresso que teve como tema “Cidadania Europeia: a participação eleitoral no centro da ação cidadã”, Paulo Marques, presidente da Cívica, disse à Lusa que o primeiro objetivo foi “falar da Europa” para incitar os eleitos a mobilizar os cidadãos para a inscrição nas listas eleitorais, com vista às eleições europeias de maio de 2019.

“Nós somos europeus, sendo europeus é [uma visão] a favor da Europa, é a favor de uma construção cada vez mais perto dos cidadãos. Ouviu-se vários parlamentares falarem que era esse o ponto essencial: estarmos cada vez mais próximos dos nossos cidadãos”, declarou Paulo Marques no final da reunião que se realizou no Hôtel des Invalides.

O deputado francês de origem portuguesa Ludovic Mendes afirmou que em França “há a sorte de haver muitos eleitos de origem portuguesa”, que “não têm forçosamente a mesma visão sobre a Europa”, mas que “o importante é debater para fazer avançar as coisas” e que “sem debate não se poderá mudar a Europa”.

Um dos problemas da Europa de hoje é a questão dos trabalhadores destacados, disse à Lusa Delmira Dauvilliers de Sousa, presidente da câmara municipal de Malesherbes, a cerca de 80 quilómetros de Paris.

Não se pode “conceber que um trabalhador português que vem trabalhar em França vai ganhar 500 euros e o trabalhador francês vai ganhar 1200 ou 1300”, observou Delmira de Sousa.

A autarca, que acrescentou que “a Europa deve ser social”, retomou ainda, uma frase que disse, a sorrir, durante o congresso, sobre uma “O.P.A. dos portugueses sobre a política em França”.

“Eu digo aos meus colegas que são presidentes de câmara ou de junta que os portugueses estão a fazer uma O.P.A. [Oferta Pública de Aquisição] na política francesa porque somos muitos portugueses em França – que somos franceses de nacionalidade -que queremos fazer política também”, afirmou, destacando que foi eleita com 68% dos votos em 2014 graças à mobilização da comunidade portuguesa.

O deputado socialista Paulo Pisco, eleito pelo círculo da emigração portuguesa, afirmou à Lusa que “os eleitos portugueses e de origem portuguesa constituem uma grande força em França enquanto exemplo para a comunidade portuguesa e como uma forma de reforçar as relações em termos bilaterais entre Portugal e França”, sublinhando o seu papel pedagógico para evitar “guinadas” eurocépticas.

“Os eleitos locais, pela proximidade que têm com as pessoas, têm a vantagem de poder dirigir-se às populações, passando uma mensagem sobre a Europa que seja pedagógica. É necessário que a Europa seja conhecida e que se evitem, sobretudo, as tentações de guinadas no sentido de se aproximarem dos argumentos dos partidos extremistas que querem destruir a Europa”, declarou, admitindo que a Europa “tem as suas imperfeições que são resolvidas pelas vias democráticas”.

O deputado social-democrata Carlos Gonçalves disse que a associação Cívica foi criada há 18 anos e “só teve razão de existir pelo facto desta comunidade poder participar nas eleições em França, muito particularmente, nas eleições europeias e locais, pelo facto de beneficiarem do estatuto de cidadãos europeus”.

“Eles são o melhor exemplo do que é a Europa porque beneficiam de um estatuto que lhes permitiu favorecer a sua integração e a sua afirmação. A nossa comunidade – sem de facto beneficiar da cidadania europeia – não teria a rede empresarial que tem e não teria os 4.000 autarcas que tem neste momento”, indicou.

No congresso foi ainda anunciada pelo vice-presidente da região Île-de-France, Patrick Karam, a criação de “uma parceria estratégica” entre a Cívica e a região Île- de-France e foi feita uma homenagem ao ex-presidente da Câmara de Albufeira, Carlos Silva e Sousa, que morreu em fevereiro.

Foi com Carlos Silva e Sousa que ficou acordada a exposição “De boue et de larmes”[“De lama e de lágrimas”] em Albufeira, a partir de 04 outubro, sobre o centenário da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, uma mostra que poderá vir a circular em Portugal já a partir de agosto, de acordo com Paulo Marques.

A associação Cívica conta com “336 membros ativos e 1.967 que participam enviando informações”, num universo de “4.000 autarcas de origem portuguesa em França”, ainda de acordo com Paulo Marques.