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Jaguar E-Pace chegou ao Porto de forma original

A primeira aventura nos SUV (F-Pace), criada com base na plataforma do XE e XF da segunda geração chegou com estrondo e ajudou a marca a atingir volumes de vendas nunca antes alcançados. O sucesso foi tal que logo surgiu o rumor de um irmão mais pequeno, e o rumor era verdadeiro. No Verão do ano passado era apresentado o E-Pace, um novo SUV alinhado abaixo do F-Pace e pronto para agarrar uma fatia deste mercado cada vez maior.

O carro foi apresentado no Porto de forma muito original pelos representantes da marca que o trouxeram de guindaste (veja a foto acima)

O novo E-Pace é um SUV marcadamente inspirado no F-Type. Desde a frente à moldura dos vidros laterais, acabando na traseira. Todo o carro ecoa traços do desportivo da Jaguar.

Se em fotografias as proporções podem resultar estranhas, especialmente nos 3/4 traseiros, já ao vivo não há qualquer dúvida de que o design do E-Pace é uma aposta ganha. Combina a elegância e desportividade que caracterizam a actual gama da Jaguar com um formato mais prático tão na moda nos dias que correm.

O E-Pace é um carro compacto, com “apenas” 4,40 metros, e a proporção entre comprimento e altura reforçam ainda mais as relativamente pequenas dimensões do modelo. No entanto, o E-Pace é largo e assume postura musculada e vincadamente desportiva… como o F-Type. Aliás, os comentários sobre o E-Pace têm sido no sentido de parecer um F-Type “inchado”, portanto, se o objectivo de Ian Callum era proporcionar um F-Type para a família, então cumpriu-o com distinção.

Desengane-se quem pensa que o tema do F-Type termina no momento em que se abre a porta. O desenho interior ecoa o do F-Type. Desde a envolvência da posição de condução, com todos os elementos a rodear o condutor como se de um cockpit se tratasse, à pega central da consola para o passageiro. E nem o selector da caixa automática escapa à influência do irmão desportivo, sendo o mesmo selector tipo “joystick” presente apenas nos modelos mais desportivos do grupo.

Claro, qualquer semelhança com o F-Type termina na estética. O E-Pace é agradavelmente espaçoso em todos os lugares e a posição de condução, sendo bastante baixa para um veículo com estas características, é mais elevada do que numa berlina tradicional, o que proporciona uma boa visibilidade e aquela sensação de estar “acima” dos outros condutores.

A qualidade tem sido um elemento melhorado a cada novo modelo Jaguar. O investimento na montagem tem sido notório e o E-Pace será mesmo o mais aprimorado neste aspecto, até agora, sendo que nenhum elemento pareceu mais solto do que seria de esperar e a total ausência de ruídos demonstra a boa solidez da montagem Austríaca. Numa nota menos positiva há a destacar alguns plásticos menos nobres do que seria de esperar num modelo que facilmente passa os 60.000€, mas olhando ao preço base de cerca de 45.000€ não são totalmente descabidos. Por este valor também seria de esperar uma maior atenção a alguns aspectos como as bolsas das portas forradas a tecido.

A bagageira é adequada ao tipo de veículo, alta e larga, mas menos funda do que uma carrinha equivalente. Destaque para o excelente acabamento desta zona, com alcatifa de qualidade e integralmente forrada. Não gostei, porém, da chapeleira fixa com um aspecto pouco nobre e sem possibilidade de ser arrumada debaixo do piso. Neste tipo de veículos uma chapeleira com enrolador revela-se uma solução mais prática.

O sistema de entretenimento InControl Pro é intuitivo, rápido e o ecrã de boa qualidade e não fica muito atrás dos melhores sistemas do mercado.

Após sentar ao volante e ajustar todos os elementos, deparamo-nos com uma posição bastante confortável e envolvente, com todos os comandos do veículo ao alcance da mão. Após encontrar o botão de arranque, totalmente tapado pelo volante na minha posição de condução, o motor entra em funcionamento de forma suave e silenciosa e não passa, neste momento, qualquer tipo de pista sobre o combustível utilizado.

Após os primeiros metros percorridos a leveza da direcção e suavidade da caixa automática de 9 velocidades deixam antever uma experiência tranquila em meios urbanos, onde o E-Pace circula com enorme facilidade, apesar de, em alguns casos, a largura se fazer notar. Algo que não se nota são as irregularidades do piso, dada a capacidade de absorção das irregularidades, pelo menos quando equipado com as jantes de 19 polegadas.

Em estrada aberta o E-Pace é silencioso, mesmo a velocidades mais elevadas e o rolar confortável mantém-se, mesmo em juntas de dilatação e irregularidades mais severas, algo que já vai sendo raro neste tipo de automóvel.

Mas desengane-se quem já está à espera de um comportamento mole e vago. Apesar do peso elevado desta versão com tracção integral (em torno dos 1850kg) o E-Pace é de uma agilidade desconcertante e a direcção é muito directa e precisa. Diria mesmo que o compromisso entre conforto e comportamento dinâmico roça o milagre, tendo em conta o peso bastante elevado.

O motor 2.0 de 180cv também não parece importado com o peso do conjunto. A resposta é sempre pronta e mais do que suficiente para aproveitar a excelência da condução do E-Pace. A ajudar está a excelente caixa de velocidades ZF 9HP já conhecida de outros modelos do grupo e de outras marcas, sempre suave, rápida e decidida. Seria a combinação perfeita para este modelo, não fosse a conjugação obrigatória da caixa automática com a tracção integral, que o obriga a pagar Classe 2 nas portagens à custa de uma lei totalmente desfasada da realidade…

Os consumos em ciclo misto rondam os 7,5l/100km numa utilização normal, sendo possível ver valores inferiores em viagem ou com condução mais cuidada, mas a curta duração do teste e a pouca rodagem da unidade testada não permitiu aferir com exactidão os consumos. Em cidade estes são ajudados pelo start-stop suave e nada intrusivo. Pena um atraso de cerca de 1 segundo, após o arranque do motor, em que a caixa de velocidades parece ter adormecido na forma.