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O luso-espanhol que passou de Mélenchon para Le Pen

Davy Rodriguez de Oliveira é filho de mãe portuguesa e pai espanhol, apoiou Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, nas presidenciais francesas de 2012 e hoje é uma das vozes da juventude de Marine Le Pen, a candidata da extrema-direita ao Eliseu.

Atual diretor nacional adjunto da Frente Nacional da Juventude (FNJ), Davy tem 23 anos, começou a militar em 2010 contra uma reforma na educação, passou pelo Partido Socialista nas primárias para as presidenciais de 2012 e face à vitória de François Hollande decidiu sair e entrar para o Front de Gauche (Frente de Esquerda) para apoiar Jean-Luc Mélenchon nesse mesmo ano.

“Pensava que o Mélenchon podia ter uma política menos liberal, muitas vezes falava de pátria, de república, de noções que para mim eram essenciais. O problema que eu tinha com o Front de Gauche era a sua política no tema europeu porque eu sou mais soberanista que federalista”, afirmou em entrevista à Lusa, acrescentando que o tema da imigração também o fez sair.

Filho de imigrantes, o vice-presidente da juventude do FN argumentou que não há nenhum paradoxo em defender a política anti-migração de Marine Le Pen porque os pais “quando chegaram eram estrangeiros mas aprenderam a cultura” francesa, um esforço que – no seu entender – não é feito atualmente pelos imigrantes.

“Eu acho que primeiro temos que parar com a imigração para conseguir integrar, assimilar essas pessoas que já chegaram há 30,20 ou 15 anos e depois, se calhar, se a situação melhorasse, era possível ter mais imigração mas, de momento, não é possível porque essa assimilação não está a funcionar”, defendeu.

O jovem diplomado em ciência política, titular de um mestrado em direito público e económico, afirmou que “realmente há muitos lusodescendentes” a votar Marine Le Pen, insistindo na palavra lusodescendentes contra o termo portugueses porque “são franceses de origem portuguesa” e negando que o seu perfil de filho de imigrantes possa ser instrumentalizado pelo FN para dar uma imagem mais aberta do partido.

“Aqui em França muitos lusodescendentes votam Frente Nacional porque os portugueses aqui fizeram um esforço de integrar-se, assimilar-se e estão a ver muitas populações, por exemplo de África, que não estão a fazer o mesmo esforço. Os portugueses – que fizeram tudo para que os seus filhos aprendessem francês, para que fossem integrados e assimilados na sociedade francesa – querem que os outros que também imigraram façam o mesmo esforço”, continuou.

Davy Rodriguez de Oliveira não concorda que a abstenção seja “a melhor amiga do FN”, realçando que o seu partido é o mais capaz de convencer as pessoas a irem às urnas e acreditando que “hoje é o momento” para Marine Le Pen levar “o partido do equilíbrio” ao Palácio do Eliseu face a “candidatos caricaturais”.

À imagem do FN que defende um referendo para a saída de França da União Europeia, Davy Rodriguez de Oliveira, que em 2013 criou a associação universitária eurocética ‘Critique de La Raison Européenne’, considera que “a União Europeia está a destruir a Europa”.

“Não está a defender a Europa, está a destruir as economias, está a fazer com que os jovens não encontrem trabalho. Esse sistema está realmente a destruir, por exemplo, Portugal ou Espanha, e está também, pouco a pouco, a atacar França agora com um sistema de austeridade”, considerou.

Depois de esta terça-feira a polícia francesa ter detido dois suspeitos de um “atentado iminente” que alegadamente visava os candidatos, Davy Rodriguez de Oliveira louvou o trabalho das autoridades, disse não ter medo de ataques terroristas durante a campanha e falou em “oportunidade política” para falar sobre imigração e terrorismo islâmico.

“É a possibilidade para falar agora desses temas, o terrorismo islâmico, porque temos aqui um problema em França. Somos agora uma universidade de terrorismo islâmico porque não estamos a lutar contra ele. A primeira coisa que temos de fazer é parar a imigração. Depois fazer realmente a assimilação”, rematou.

O lusodescendente vai fazer outro mestrado em direito, pretende, depois, exercer a advocacia e no futuro, talvez, ser candidato a uma eleição com a etiqueta do FN.