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O outro António Magalhães

(homenagem ao meu pai, no décimo aniversário da sua partida para o outro lado)

Cá estou eu pai. Com um texto enormíssimo, a assustar as pessoas que muito se aborrecem com muita escrita. Li e reli o texto depois de o escrever. Nem uma única palavra que lhe retiro. Como podia deixar de falar de algumas das suas histórias, das quais, eu acho, herdei esta mania de deixar fluir a imaginação. Ao contá-las a vontade de rir, ou apenas sorrir, volta. É com se o tivesse novamente aqui ao meu lado, com o seu lado engraçado e único, um contador de histórias sempre com um significado, uma lição de vida. Cá vamos…

O outro António Magalhães era homem de princípios, de grande carácter, de respeito, ao mesmo tempo engraçado e cheio de humor, um humor que apesar de tudo, além de fazer rir e trazer boa disposição, tinha também uma mensagem a ser transmitida.

Escreveria uma crónica única e exclusivamente às suas histórias, mas resumo-as aqui em poucas e essenciais palavras.

“Um pobre camponês que trabalhava de sol a sol para poder enviar todos os meses a quantia que mantinha o único filho que tinha, a estudar no seminário, um dia quis testar os seus conhecimentos de Latim, disciplina obrigatória nos estudantes de teologia. Disse-lhe, – Meu filho, agora que estás quase a ser padre, fala lá um pouco de Latim para mim. – Mas o filho que durante aqueles anos todos havia levado uma vida de boémia, enganando o pobre pai, não sabia uma única palavra em Latim, por isso teve de improvisar tentando enganar o velhote. Disse-lhe, – Ó meu paisório, você está bonzório? Como tem passadόrio? – O pai, que de estúpido não tinha nada, percebeu de imediato que o filho o andara a enganar todos aqueles anos, por isso respondeu-lhe, – Estou meu filhόrio, estou muito bonzório, mas tu prepara o enchadório que vais para o campório cavar o batatório, para deixares de ser malandrório.

“No primeiro dia de aulas o professor quis conhecer o nome dos seus alunos da primeira classe. Perguntou, -Tu, como te chamas? – Eu sou o Joãozinho… – Aqui és João, em casa és Joãozinho. E tu? – Eu sou o Miguelinho… – Aqui és Miguel, em casa és o Miguelinho. E tu? – Eu sou o Pedrinho. – Aqui és Pedro, em casa és Pedrinho. – Até que chegou ao mais reguila da classe. – E tu? – Eu sou o Agosto. – És o Agosto? Sim, porque em casa sou o Agostinho…”

“O leão, o rei da selva, pouco antes de morrer, deu um conselho importante e sábio ao seu filho. Disse-lhe, – Meu filho, depois de eu morrer serás tu o rei da selva. Não tens que temer nenhum outro bicho, a não ser um que se chama bicho mulher. Esse será o único que te pode vencer, não pela sua força, mas pela sua astúcia. – Quando o pai leão morreu, e o filho leão tomou por direito o seu lugar de rei da selva, a primeira coisa que fez foi procurar o tal bicho mulher, curiosíssimo de conhecer quem em toda a selva era capaz de o derrotar, segundo as palavras do pai. Por isso foi de animal em animal perguntando qual deles era o bicho mulher, até que encontrou uma mulher. – És tu o bicho mulher? – Sou. – O meu pai dizia que eras a única capaz de me vencer. Não me pareces nada forte. Acho que o meu pai estava velho e não sabia o que dizia. Para provar que ele estava enganado, quero uma luta contigo. – A mulher respondeu, – Não tem problema, luto contigo com todo o gosto, mas não agora pois estou com pressa. Se não tiveres medo, encontramo-nos aqui amanhã bem cedo, debaixo desta árvore e fazemos a nossa luta. – O leão concordou. No dia seguinte a mulher levantou-se bem mais cedo e foi ao local, abriu um grande buraco no chão, colocou umas estacas afiadas viradas para o alto, depois cobriu o buraco com um plástico, deitou-lhe uma camada de terra fina por cima para disfarçar e escondeu-se por detrás da árvore. Quando o leão chegou perto da árvore caiu no buraco e ficou espetado nas estacas. A mulher apareceu no topo espreitando com cautela para o buraco e quando se certificou que o leão já não tinha hipótese, disse-lhe, – Devias ter ouvido o conselho do teu pai…- O leão antes de morrer ainda teve forças para dizer, – Razão tinha o meu pai ao dizer que eras o único bicho que me podias derrotar, não pela tua força, mas sim pela tua astúcia. E apagou-se…

Uma outra historia que envolvia o rei da selva, tem uma mensagem que me demorou anos a entender verdadeiramente o seu significado.

“O Leão, já no fim da sua vida, velho e cansado, caiu no meio do caminho exausto e sem forças. Os outros animais, que toda a vida foram seus vassalos, subordinados ao seu poderio, quando o viram estendido no chão, um a um vieram dar-lhe um pontapé, numa espécie de vingança apetecida pois sabiam que o Leão já não tinha forças para ripostar. O Leão resignadamente aceitou o abuso pois sabia que nada podia fazer. Veio o tigre e, pontapé, veio o rinoceronte e pontapé, a zebra, a girafa, o macaco e por aí adiante. Até que de entre todos os animais veio também satisfazer a sua vingança, um burro. Quando o Leão desviou os olhos para cima e viu o burro dar-lhe o pontapé, desanimado e profundamente ofendido disse. -Lá que venham os outros animais satisfazer a sua sede de vingança ainda vá que não vá, mas levar um pontapé de um burro… – E morreu de desgosto.
“A viúva, pouco antes do funeral do seu marido, escondida por detrás da porta, comia azeitonas, mas como já tinha poucos dentes chorava com a dificuldade que tinha em comer as azeitonas e o bem que lhe sabiam. As pessoas, do outro lado da porta diziam… – Tem de ser forte, estas coisas acontecem. É a lei da vida, todos nós temos de ir um dia… – a viúva respondia numa choradeira inconsolável, – Ai senhor…estes bocadinhos negros…tão difíceis de engolir. – De um e do outro lado da porta, referiam-se a coisas diferentes. O marido que se foi, e as azeitonas tão penosas de mastigar e engolir, para a viúva que já poucos dentes tinha…”

E tal como já escrevi, tivesse eu o tempo que tanto me escasseia, e acho que até era capaz de escrever um livro que amalgamasse todas as histórias que o meu pai contava, histórias que foram contadas num tempo que não volta, que pontua uma época e uma determinada situação que tinha vida, e continha risos, momentos, e movimentos, e expressões.

Quando o lembro, gosto de o lembrar com um sorriso nos lábios. Um sorriso nos meus lábios. Gosto de lembrar estas histórias e outras que ele mesmo protagonizava. Como aquela vez em que, numa manhã invernosa, deitado na cama, de cobertores bem chegados ao pescoço, um dos clientes da sua loja, cliente e amigo, a indagar, -Ó Laurinha o senhor António? A minha mãe a responder, – Diz que não se levanta hoje. Está doente – a anormalidade da situação a merecer uma preocupação mais profunda, – Posso ir lá vê-lo? – O cliente, – mas você que tem? Não será gripe.? – E enquanto a chuva fustigava a vidraça e o vento corria furiosamente em rodopios à volta da casa, lá de dentro dos seus cobertores que o mantinham aconchegado daquela manhã terrivelmente fria e tempestuosa, acabou por dizer, – Ai…ai…ai que eu estou tão quentinho…

Contava que em criança tivera uma gripe tão grande que até alucinações tinha. A avó Rosalina, sua mãe, aflita chamou o médico a casa. O médico depois de o auscultar, ainda com o periscópio pendurado ao pescoço, só dizia, – Ele está tolo… o moço está tolo de todo…! – a avó Rosalina, – Mas ó senhor doutor, ele que tem? Ele nem sequer diz coisa com coisa… – e o médico repisava sempre no mesmo…- Raios parta o moço que está tolo de todo… – e como não tinha grandes soluções para o caso, arrumou a sua malinha, entregou uma receita à avó Rosalina e disse. – Pegue lá, dê-lhe remédio das bichas. – e foi-se embora, não sem antes virar o pescoço ao sair do quarto, na direção do meu pai que delirava na cama, e dizer… – Puta que o foda, o moço tá tolo de todo.

No meu segundo ano de Inglaterra, veio com a minha mãe fazer-nos uma visita de alguns dias. Nessa altura já a visão não ajudava muito. Foi uma risota na noite em que, sentados à mesa, para o jantar, nos contava as suas peripécias no aeroporto de Manchester. Foi à casa de banho, e ao entrar, um outro senhor apareceu-lhe de frente. Então com o seu cavalheirismo e as suas boas maneiras, afastou-se para o lado e com o braço fez um gesto para que o senhor avançasse primeiro. – faça favor, o senhor, primeiro. Mas o senhor que vinha de dentro, fez precisamente o mesmo gesto e disse-lhe precisamente a mesma coisa. E então o meu pai repetiu… – Não, não, por favor, insisto, o senhor, primeiro. – E o tipo voltava a repetir os mesmos gestos. Até que, não saindo daquele impasse, aproximou-se um pouco mais e finalmente descobriu que o tipo do outro lado era a sua imagem refletida num espelho enorme colocado na parede, mesmo à entrada da casa de banho.

A particularidade das suas histórias, além da fértil imaginação que lhes impunha, era também a maneira peculiar com que as contava. Fartámo-nos de rir, e os miúdos riam-se a bandeiras despregadas, com as histórias do avô.

E depois veio uma madrugada, uma inquietação na cama, uma má disposição, e isso era a morte a enviar uma mensagem dizendo que viria buscá-lo em breve. E ele, sorrateiramente deslizou da cama, para não incomodar a minha mãe até que, ela pressentindo que algo não estava bem naquela manhã, o veio encontrar caído no quintal. Foi levado para o hospital e os exames posteriores a isso a diagnosticar um cancro no estômago.

Desencadeou-se o processo dos tratamentos, da operação delicada e monstruosa, removendo um órgão inteiro na esperança de que com ele se removeria também o mal e o sofrimento e mau agoiro a ele pegado.

E depois, a cada dia, a descida vertiginosa e mais rápida do que se esperava, em que no aro da roda da vida ele ia descendo até ao centro, para depois nela desaparecer.

Durante os últimos dois anos da sua vida, entre o diagnostico, a operação, e os tratamentos, as muitas estadias no hospital, as minhas visitas periódicas, recusando-me a ver o que estava à frente dos meus olhos, e a lembrar-me das muitas vezes em que me dizia, nos momentos que não eram para ser levados a brincar, que havia um tempo para tudo… Um tempo para rir, um tempo para levar a vida a sério, um tempo para descansar, um tempo para trabalhar, e o seu tempo que estava a chegar ao fim. Mas isso não me disse. As evidências estavam à nossa frente.

O meu irmão que apesar da azáfama da sua vida, corria para o hospital diariamente, duas vezes ao dia, tentando conciliar a sua vida agitada dos negócios e o apoio incondicional que deu ao pai até ao seu último suspiro.

E ele, o pai, a depender do seu apoio, do seu amor, talvez sentido assim a força suficiente para enfrentar o medo de quem pressente que está a ser puxado para o desconhecido. As enfermeiras, -Vamos ao banhinho, senhor António… – e ele, com a humildade de quem reconhece o profissionalismo e a humanidade de quem trabalha e faz o seu melhor, a dizer com mil cuidados, – sabe senhora enfermeira, se não se importasse…é que está aí a chegar o meu Manuel… – e a enfermeira a entender bem as suas reticencias e a dizer, -Está bem, eu volto mais daqui a um bocado.

E quando voltava já o banho estava dado porque o seu Manuel, com todo o carinho e todos os cuidados o levava para a casa de banho e lhe dava banho, enquanto o ia pondo ao corrente das notícias de casa, e das notícias que outrora rodearam a sua vida no mundo dos que se movimentam com saúde. Há grande Manuel, deveria ser a homenagem para ti. Também é para ti de facto.

E um dia, venho a Portugal porque o pai havia voltado ao hospital e as notícias não eram nada animadoras.

Quando cheguei ao hospital, não estava na sua cama. Um outro internado informou que tinha saído no seu vagar para dar uma volta pelo corredor do hospital. Fui procurá-lo para o encontrar numa sala de espera do piso onde estava internado, de olhar perdido pela janela, fixo no horizonte, tenho a certeza de que vendo tudo menos parte da cidade de Guimarães, que se prostrava à sua frente.

Não me aproximei. Deixei-me estar ali a observá-lo por momentos, a tentar por as minhas emoções no seu devido lugar, de facto a lutar com elas para que se não manifestassem à sua frente, procurando por forças que não tinha, para me poder comportar sem desfalecer nessas emoções com as quais eu tinha dificuldade de lidar.

Quando finalmente consegui aproximar-me e mostrar-me forte, ele que me conhecia bem melhor do que eu a ele, na sua caraterística maneira de caminhar a meu lado, vagarosamente é certo, com as mãos entrelaçadas ao fundo das costas, com algumas pausas no caminho para frisar algo que dizia, para que a conversa tivesse a ênfase que lhe pretendia incutir, a querer saber da minha vida e do meu bem estar, bem como do resto da família que havia ficado em Inglaterra pela impossibilidade de nos deslocarmos todos ao mesmo tempo, porque a vida comanda-nos e nós não comandamos a vida. E eu a caminhar ao seu lado, nos corredores do hospital de Guimarães, a falar com ele, a quase querer abraçar as nossas conversas que me faziam recordar outros momentos em que falamos de temas tão diversos como diversa era a sua capacidade de conversar e saber ouvir, de aconselhar, de transmitir confiança e acima de tudo sabedoria, fosse a falar a sério ou a brincar.

Depois, passados poucos dias veio para casa, e na manhã seguinte vi-o a descer as escadas que dão acesso ao quintal, apoiando a mão contra a parede à medida que descia, e como já estava quase a chegar ao fundo das mesmas deixei-o continuar a sua vagarosa caminhada, como quem arrasta o peso do mundo consigo pela doença que teimosa e cruelmente se preparava para o levar da nossa companhia.

Em passos de algodão fui-me esconder por detrás da janela da cozinha, ficando a observá-lo lá do alto, com o coração aos pulos no meu peito, sempre atento aos seus movimentos e preparado para sair a correr em seu auxílio, sempre com o receio de que a sua fraca condição de saúde o não mantivesse de pé.

Depois, testemunhei algo que me ficou gravado na memória a ferro e fogo. O coração que já saltava de inquietação e preocupação pelo seu bem-estar, de repente pareceu parar estagnado no peito, e uma emoção forte manifestou-se-me na garganta com um aperto que não consegui aliviar, até que os olhos se me encheram de lágrimas que deixei livremente escorrer pela cara abaixo, ao testemunhar o meu pai a despedir-se do mundo, do seu mundo, que tenho a certeza agora, ele previa estar para breve.
Com dificuldades palmilhou o quintal baixando-se sobre todas as plantas e todos os vegetais que ele mesmo com tanto carinho cuidou, e tocou-lhes num gesto de ternura, num gesto que, mesmo sem proferir palavras, dizia adeus, e demorou-se em cada uma delas como se estivesse a explicar, a dar uma razão pela qual tinha que partir e deixar para trás tudo o que fez parte da sua vida.

Não foi só o facto de presenciar algo que me comoveu profundamente, uma espécie de última lição de vida para mim, uma lição de que o que realmente importa enquanto andamos pelo mundo dos vivos, está nas coisas simples, porque elas espelham aquilo que somos e fomos, mas o facto de estar a testemunhar algo único, algo que na família só eu tive a oportunidade de presenciar. E se a imagem que guardo desse proscénio que ali se desenrolou à minha frente, naquela altura quase fez com que o chão me desaparecesse dos pés, hoje sei que a intensidade com que vivi o gesto que o meu pai protagonizou ao despedir-se do mundo poucos dias antes da sua partida, foi como que um último presente de testemunhar a sua grandeza, a sua simplicidade do grande homem que era, o confirmar de que, afinal eu não sabia nada quando pensava saber tudo.

Depois regressei a Inglaterra e em poucos dias ele voltou para o hospital. O corpo estendido na cama, a respiração forte, pesada, profunda…de longe a longe, “-vai para casa…não atrases a tua vida…” E esses eram sinais de que ainda por ali estava.

“- É que o meu Manuel está por aí a chegar…” E o seu Manuel, senhor António… não saía do quarto. Ficava ali silencioso, irrequieto entre a cadeira e a sua cabeceira, a espreitá-lo, a murmurar-lhe palavras, coisas vossas, e teimoso até que o obrigassem a sair porque tinha já excedido o tempo. Confessar-me ia mais tarde, “Eu ali no quarto, ele de longe a longe, – Vai para casa, não atrases a tua vida…- e eu sem saber se, nos intervalos em que parecia voltar ao corpo, se percebia que eu estava ali, junto dele.” Claro que sabia meu irmão. Era ele quem estava a olhar por ti. Estava-te a ver, e por isso vinha para te dizer que fosses, que não atrasasses a tua vida. Sabes como era o pai…
Depois o telefonema da Glória. A voz embargada, a frase que custou tanto dizer como ouvir. “O teu pai foi-se embora…”

E foi-se embora para onde, senhor António? Por onde anda você agora, que tanta falta me faz? As lágrimas voltaram agora que lhe escrevo, e eu que pensava que tinha este assunto das saudades resolvido…

Durante os primeiros anos da sua partida, as visitas esporádicas nos meus sonhos. Umas vezes conversador, caminhando os dois vagarosamente lado a lado, ele com as mãos entrelaçadas ao fundo das costas, e eu a escutar atento, mas sem ouvir o som da sua voz, sem ouvir o conteúdo das suas palavras, mas a ter uma inexplicável certeza de que elas, as palavras, eram sementes plantadas dentro de mim que mais tarde haveriam de rebentar e dar o seu fruto. Outras vezes, silencioso, sentado no sofá, de sorriso meigo, sereno e compreensível, um olhar benevolente e a expressão desse mesmo olhar a quebrar um silêncio de palavras que não era necessário expressar. E eu, através desse sonho que me parecia tão vivo, tão real, primeiro a buscar com o meu olhar, porque as palavras também não saiam de mim, quase furiosamente que falasse comigo, e depois embebido pela paz e serenidade com que me olhava, a compreender a pequeneza dos problemas que nos afligem enquanto por cá andamos, e a sua insignificância, comparada numa perspetiva entre dois mundos, um que não sabemos verdadeiramente valorizar e o outro que desconhecemos.

Depois as visitas esporádicas aos meus sonhos foram quase esvanecendo, ficando as memórias dos dias em que a sua vida se cruzava com a minha e esses momentos se enchiam de um conteúdo de risos, algumas tristezas, palavras sábias, palavras zangadas, sermões e missas cantadas, silêncios, alguns quase ensurdecedores, mas acima de tudo, presença. E essa presença deixou de o ser para no seu lugar ficar a saudade.

Este, António Magalhães