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Pais contam a história da morte de menino belga em Portugal

“Uma simples tampa podia ter evitado” a morte do menino belga, de seis anos, que foi sugado pelo filtro de uma piscina em Azeitão na semana passada.

Num comunicado muito emotivo, o casal belga conta como tudo aconteceu e afirma que a morte do filho, na segunda-feira no Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, teria sido evitada se os responsáveis da unidade de turismo rural cumprissem requisitos básicos de segurança. Exigem que tudo seja feito para apurar responsabilidades e evitar outra tragédia

Ansie van Aerschot e Michael Wanzeele, pais de Vic, o menino de seis anos que faleceu depois de ter ficado preso debaixo de água, durante cerca de 20 minutos, num filtro de uma piscina que não estava devidamente resguardado, exigem uma “investigação rigorosa” e a adopção de “medidas” para que uma tragédia semelhante não volte a suceder. O caso aconteceu numa casa de turismo rural, em Azeitão, na zona de Setúbal, onde a família passava férias. Leia o comunicado de imprensa assinado pelos pais:

Terminaríamos as nossas férias em Portugal na terça-feira, dia 17 de julho. Passeámos pelo país durante quinze dias com uns amigos nossos e com os seus filhos. Deixaríamos a casa depois de almoço para irmos para o aeroporto e regressarmos à Bélgica.

O meu marido saiu de manhã cedo, de carro, para levar as nossas malas para casa. Vic e as outras crianças brincavam juntos na piscina. A nossa amiga estava sentada junto à piscina e eu estava a preparar a mesa, perto da piscina, com o marido dela.

Enquanto o Joris e o Vic davam uns mergulhos, Joris reparou logo que o Vic tinha ficado preso num buraco no fundo da piscina, na parte mais funda da mesma, com pelo menos 1,90 metros de profundidade. Saltámos todos imediatamente para a piscina para o ajudar, mas era impossível soltá-lo.

Tentámos repetidas vezes (nas primeiras tentativas, o Vic ainda estava vivo e a mexer-se, a tentar soltar-se)… Eu entrei em pânico porque era evidente que não o conseguíamos tirar, mas continuámos a tentar.

Ligámos para o 112, a nossa chamada foi transferida 5 vezes até conseguirmos falar com alguém que falasse inglês. Fomos à procura do quadro de eletricidade para desligarmos o filtro, mas não conseguimos encontrar nada de útil no quadro. Ninguém sabia onde se encontrava a instalação da piscina.

Eu liguei para a BE@home – empresa responsável pela propriedade Arrábida Country Retreat (Alojamento Local), selecionada pela nossa agência de viagens – e, ao telefone, gritei que o meu filho tinha ficado preso no filtro e estava a morrer na piscina. Eles disseram-me para permanecer calma e que alguém iria imediatamente (chegaram ao mesmo tempo que os bombeiros). Nada disseram relativamente à instalação que poderíamos desligar…

Nesse momento percebi que não conseguiríamos tirar o Vic sozinhos, enquanto ele continuava no fundo da piscina, já sem se mexer… Eu queria que os serviços de emergência chegassem o mais rápido possível, por isso comecei a correr descalça para a estrada para lhes indicar o caminho. Gritei o mais alto que consegui para que eles me ouvissem e encontrassem o caminho mais facilmente.

Os bombeiros chegaram primeiro e dois deles tentaram soltar o Vic, sem sucesso. Começaram à procura da instalação, que parecia estar numa pequena casa na estrada de acesso que se encontrava trancada. Os bombeiros arrobaram a porta, desligaram o sistema do filtro e finalmente conseguiram soltar o Vic. Penso que terá ficado debaixo de água durante 15-20 minutos.

Começaram as técnicas de reanimação e trouxeram-no de volta após 40-45 minutos. Depois dos bombeiros, chegou a polícia e depois disso a ambulância e um carro com o médico de emergência. O Vic foi levado para o Hospital Dona Estefânia onde foi imediatamente recebido pela equipa da unidade de cuidados intensivos pediátricos com carinho e com o melhor tratamento possível.

Deixaram claro que o Vic estava gravemente ferido. Prometeram tentar tudo para o trazerem de volta, mas não tinham a certeza se conseguiriam e, caso conseguissem, em que estado se encontraria…mas ele não sobreviveu. No sábado, dia 21 de julho, a ressonância magnética demonstrava que o cérebro do Vic estava gravemente afetado, incluindo o tronco cerebral, e tudo apontava para que estivesse em morte cerebral. Segunda-feira, dia 23, morreu nos nossos braços pela segunda vez.

O filtro devia estar tapado! A aspiração era tão forte que ele nunca teve qualquer hipótese…é inacreditável que isto pudesse acontecer quando uma simples tampa o podia ter evitado… Emitimos este comunicado para garantir que será levada a cabo uma investigação rigorosa deste caso e que serão tomadas medidas para impedir que esta tragédia aconteça com outra família.

Os Pais do Vic,

Ansie van Aerschot

Michael Wanzeele