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Portuguesa líder da Juventude do Partido Popular Europeu

A social-democrata Lídia Pereira, que vai liderar a Juventude do Partido Popular Europeu, considera que o centro direita tem de combater o populismo, apesar de referir que afastamento do partido húngaro Fidesz da organização não é prioridade.

A jovem economista, natural de Coimbra e atual vice-presidente da Juventude do Partido Popular Europeu (YEPP – Youth of the European People’s Party), é a única candidata à liderança desta estrutura, cujo congresso eleitoral decorre no sábado, em Atenas, com a participação de cerca de 250 delegados, representantes de 70 organizações de toda a Europa.

Tendo como lema “Together we go further” (Juntos vamos mais longe), Lídia Pereira assume que é necessário garantir coesão na União Europeia e avaliar o papel do centro direita europeu com o crescimento do populismo na Europa, nomeadamente no leste do continente, considerando que o YEPP será “uma voz ativa no combate ao populismo”.

No entanto, quando questionada pela agência Lusa sobre a presença do Fidelitas, estrutura política da juventude do partido húngaro de extrema direita Fidesz, no YEPP, Lídia Pereira considera que, “enquanto o partido estiver representado no PPE [Partido Popular Europeu], não faz sentido iniciar qualquer tipo de diligência de expulsão”.

“Por enquanto, não sentimos essa necessidade. Essa discussão nunca foi feita de forma aberta e não é a nossa prioridade”, explicou a social democrata, apesar de referir que é uma situação que “tem de ser tida em conta” e sublinhar que tem de ser feito um trabalho de sensibilização para garantir que os valores europeus são respeitados.

Nos últimos anos, Bruxelas criticou algumas das decisões do Governo húngaro, liderado por Viktor Orban, do Fidesz, como a recusa de acolher refugiados, as limitações da liberdade de imprensa e a aprovação de leis sobre o controlo das organizações não governamentais e das universidades, bem como a instituição de uma nova lei que castiga com um ano de prisão quem ajudar imigrantes em situação irregular.

Relativamente à política de migração, a jovem de Coimbra defende que não se podem fechar as portas da Europa a refugiados, considerando, no entanto, que é preciso haver “controlo de quem entra e de quem sai”.

“Temos de garantir que as pessoas que entram têm recursos e são tratadas de forma digna e que são integradas na sociedade. Não podemos deixá-las ao abandono, porque é isso que cria uma sociedade fragmentada”, vincou.

Para o mandato de dois anos à frente do YEPP, Lídia Pereira pretende avançar com a discussão em torno do futuro do trabalho associado ao processo de revolução digital, considerando que, por um lado, é necessário garantir que os jovens têm as ferramentas necessárias para serem bem sucedidos nessa transição, e, por outro, discutir os impactos diretos da digitalização no rendimento do trabalho.

“Não queremos que esta nova revolução em questões de modelo de trabalho seja ignorada ou adiada. Tem que estar na agenda”, frisou.

Outra das prioridades para os próximos dois anos, será a discussão em torno das alterações climáticas e a necessidade de as futuras gerações “estarem conscientes” sobre este desafio, disse.