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STCP abre processo interno sobre agressão a jovem luso-colombiana

A Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) anunciou esta terça-feira que abriu um “processo interno” para averiguação junto dos seus trabalhadores que estavam de serviço quando uma jovem luso-colombiana foi agredida numa paragem de autocarros, anunciou hoje aquela empresa.

Em comunicado enviado à Lusa, a STCP esclarece que o referido inquérito foi aberto “antes de qualquer divulgação nos media e imediatamente após ser informada” da agressão à jovem por um agente de uma empresa contratada para prestar “Serviços de Fiscalização de Título de Transporte e de Vigilância em Autocarros”, a 2045, tendo ainda “exigido” que o segurança em causa deixasse, até esclarecimento da situação, de prestar qualquer serviço à STCP.

Nicol Quinayas, de 21 anos, nascida em Portugal, mas de ascendência colombiana, alega ter sido violentamente agredida e insultada na madrugada de 24 de junho, no Porto, por um segurança da empresa 2045 a exercer funções de fiscalização para a empresa STCP.

“Foi decidido abrir um processo interno, na STCP, para averiguação da situação juntos dos trabalhadores da STCP que estavam de serviço na madrugada do dia 24 de junho, sendo justo dizer que os dois trabalhadores que estavam no local tiveram comportamento exemplar”, lê-se.

Segundo explica a STCP, “este inquérito visa apenas obter uma informação tão rigorosa quanto possível do ocorrido, mas não pode, nem pretende, substituir o apuramento pelas autoridades competentes das responsabilidades dos indivíduos envolvidos”.

A STCP, aponta o texto, “espera que o inquérito ao sucedido seja concluído tão pronto quanto possível e reafirma que os seus trabalhadores e o Conselho de Administração repudiam veementemente quaisquer atitudes discriminatórias e, dentro das suas competências, aplicará as medidas adequadas à erradicação de quaisquer práticas menos próprias de uma sociedade democrática e tolerante como é a sociedade portuguesa”.

A empresa gestora dos transportes públicos portuenses garante que “não deixará de apurar os danos de imagem e reputação que a empresa 2045 esteja a causar e agirá em conformidade após a conclusão e quando lhe for dado conhecimento do inquérito policial”.

A STCP refere ainda que enviou uma carta à Embaixada da Colômbia em Portugal no dia 28 de junho passado, “reportando a informação que detinha sobre o incidente e repudiando em nome dos trabalhadores desta empresa e do Conselho de Administração qualquer forma de discriminação”.

O Ministério Público abriu já um inquérito para investigar o caso, revelou na semana passada a Procuradoria-Geral da República (PGR), numa resposta escrita à Lusa.

Depois de o caso se ter tornado público, inicialmente pelas redes sociais e depois pelos jornais, a SOS Racismo condenou a agressão à jovem Nicol Quinayas, que reside em Gondomar, no distrito do Porto.

A Inspeção Geral da Administração Interna abriu já um processo para esclarecer junto da PSP o caso e, numa nota enviada às redações, o Ministério da Administração Interna (MAI) diz que o ministro Eduardo Cabrita “não tolerará fenómenos de violência nem manifestações de cariz racista ou xenófobo”.

Também a empresa de segurança privada 2045 já anunciou, em comunicado, que iniciou um processo de averiguações interno relacionado com a agressão.