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Um café… qual café?

Lembraste de tomar café esta manhã? Do seu sabor? Do efeito dele em ti? Sabes que o fizeste porque confias nos hábitos e rotinas do teu corpo. Mas onde estavam os teus pensamentos nessa altura? Pois é, estavam bem à frente no tempo. Provavelmente estes já tinham voado lá para fora, para a chuva que se fazia sentir ou para o sol demasiado quente. É o nosso mal, a cabeça quer sempre ganhar a corrida com o nosso corpo. Nunca está bem onde está, é uma espécie de António Variações. E então começas a perceber que os momentos, até aqueles mais significantes te escapam por entre os dedos. Já pensaste que mente e corpo passam a vida a tramar-se mas se se unissem ganhavam ambos com isso? Porquê que teimamos em ser uns filhos da mãe até de nós para nós mesmos? Pois é. Dá que pensar. E então se em vez de te questionares se esta manhã tomaste café para te manteres acordado ao longo do dia, parasses um pouco para despertares a tua mente e alma e manteres-te acordado durante a vida? Não podemos muitas vezes quebrar rotinas é certo, mas podemos escolher viver as coisas intensamente no momento presente sem deixar que a nossa cabecinha traiçoeira nos roube todos os instantes, todos os prazeres. Por isso da próxima vez que tomares um café, da próxima vez que fizeres aquele caminho que fazes todos os dias, que tomares um banho, pára, fecha os olhos, fica só contigo. Apresenta o teu físico ao teu psicológico, eles não sabem mas se se unirem têm tanto para te dar e vais poder finalmente sincronizares-te com a vida presente e saborear o teu café grão a grão.

Inês Araújo