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Lucas da Cunha não vai jogar com CR7 porque Zidane o chamou à seleção francesa

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Lucas da Cunha, médio luso-francês de 25 anos que representa o Como, de Itália, foi esta sexta-feira uma das grandes surpresas da primeira convocatória de Zinédine Zidane enquanto selecionador de França. O jogador integra uma lista de cinco estreantes nos Bleus, num reconhecimento pelo percurso que tem vindo a construir no futebol italiano.

A chamada concretiza, assim, um sonho pelo qual o lusodescendente aguardou durante vários anos. O médio chegou a assumir publicamente o desejo de jogar ao lado de Cristiano Ronaldo na seleção portuguesa, mas essa possibilidade nunca se concretizou. Apesar das suas raízes lusitanas, o futebolista acabou por ser escolhido pela França, país onde nasceu e onde fez toda a sua formação.

Filho de português e criado num ambiente ligado ao Saint-Étienne

Lucas da Cunha nasceu a 9 de junho de 2001, em Roanne, França, e é filho de pai português. De acordo com a imprensa francesa, cresceu numa família fervorosamente ligada ao Saint-Étienne, clube histórico da região.

Durante a juventude, chegou a ser observado pelo emblema dos Verts, mas não conseguiu integrar a sua academia. A oportunidade surgiu no Rennes, onde encontrou as condições necessárias para desenvolver o seu talento e afirmar-se como um médio de características ofensivas, capaz de atuar entre linhas, transportar a bola e participar na criação de jogo.

Foi também no Rennes que partilhou a formação com vários jogadores que viriam a alcançar grande projeção no futebol europeu, entre eles Eduardo Camavinga, Sacha Boey, Yann Gboho e Adrien Truffert. Paralelamente, Lucas da Cunha foi chamado às seleções jovens de França, representando o país nos escalões de formação.

Poucas oportunidades em França

No verão de 2020, aos 19 anos, Lucas Da Cunha deixou o Rennes depois de ter somado cinco jogos pela equipa principal. Transferiu-se para o Nice, procurando encontrar um contexto que lhe permitisse jogar com maior regularidade.

A estreia no novo clube foi, contudo, acompanhada por um empréstimo ao Lausanne-Sport, na Suíça. A passagem pelo futebol helvético revelou-se positiva: em 28 partidas, o médio marcou seis golos e registou uma assistência, números que apontavam para um jogador em crescimento e com capacidade para fazer a diferença no último terço do terreno.

Apesar desse desempenho, o regresso a França não lhe garantiu a continuidade esperada. Com espaço reduzido no Nice, Lucas da Cunha foi novamente cedido, desta vez ao Clermont, da segunda divisão francesa, durante a segunda metade da temporada 2021/22.

A sucessão de empréstimos evidenciava a dificuldade em encontrar um projeto que apostasse verdadeiramente nas suas qualidades. A solução acabaria por surgir fora de França.

A mudança para Como e a influência de Fàbregas

Depois de uma nova experiência por empréstimo, Lucas da Cunha decidiu deixar o futebol francês e aceitar o desafio do Como, então a competir na segunda divisão italiana.

A mudança revelou-se decisiva. No projeto transalpino, o médio encontrou estabilidade, minutos e um papel de maior responsabilidade. Sob a orientação de Cesc Fàbregas, que assumiu um papel central no crescimento do clube, o lusodescendente ganhou estatuto e tornou-se uma das referências da equipa.

O jogador contribuiu para a evolução do Como, ajudando o clube a alcançar a Serie A e a afirmar-se progressivamente no futebol italiano. A sua importância cresceu ao ponto de se tornar capitão da formação, sinal da confiança conquistada junto dos treinadores e dos companheiros.

No plano individual, a última temporada foi particularmente expressiva: Lucas da Cunha terminou com oito golos e cinco assistências em 42 jogos. A regularidade, a capacidade de decisão e a influência no processo ofensivo colocaram-no definitivamente no radar do futebol internacional.

A chamada de Zidane

O percurso realizado em Itália chamou a atenção de Zinédine Zidane. Na sua primeira convocatória como selecionador de França, o antigo internacional francês incluiu Lucas entre os cinco estreantes.

A convocatória surge depois de o médio ter representado os Bleus nos escalões jovens e pode marcar o início de uma nova etapa na sua carreira. Aos 25 anos, Lucas da Cunha vê finalmente reconhecido o trabalho desenvolvido desde a saída do Rennes e prepara-se para disputar um lugar numa seleção francesa em renovação.

A chamada também encerra, pelo menos por agora, a possibilidade de representar Portugal ao lado de Cristiano Ronaldo. O sonho português foi assumido pelo próprio jogador, mas a carreira internacional acabou por seguir o caminho francês.

Um perfil discreto fora dos relvados

Apesar do interesse crescente em torno da sua convocatória, Lucas da Cunha mantém uma vida pessoal relativamente discreta. São conhecidos sobretudo os elementos relacionados com a sua origem familiar: nasceu em França, é filho de português e cresceu num ambiente ligado ao Saint-Étienne.

Fora dessas referências, não existem muitos dados públicos confirmados sobre a sua vida privada. O jogador tem concentrado a sua exposição na carreira e no desempenho dentro de campo, evitando transformar a esfera pessoal no centro das atenções.

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