Fome aqui e acolá, a mil a hora com muito frio,
Crianças desnutridas vivem em vários continentes
Milhões irão dormir hoje e agora de estômago vazio
Mas há quem tenha suas barrigas bem salientes.
Fome em toda a parte e em todo o mundo
Clamando por pão e clamando por justiça
O numerário é imenso e jaz no e-mundo
Povos aguardam justiça que é pouca e postiça .
Fome aqui é acolá e também fome a mil à hora
Esperava-se fartura, mas veio a passo de caracol
Há fome de todo o tipo, não falo mais e vou embora
Escuto ainda a voz dos esmagados onde não brilha o sol.
Há fomes de mandatos, mas há muitos cães e gatos
Com cuidados de saúde que usufruem boa mesa,
Os animais devem certamente ser bem tratados
Não exagerando claro: mas há animais aguardam a sobremesa.
A fome clama e persiste. Pergunto: quem a pode saciar?
Será a ciência, os monopólios, ou os muitos abastados?
Leia a história humana, como deixa muito a desejar
E as promessas de Reis se tornaram inglórias….
Também existe fome de instrução e pouca fome da verdade
Há fome de todo o tipo que nos mata e nos devora
Fome que embrutece, nos corrói e não nos leva à saciedade
A fome perdura agora e sempre. E eu, agora vou embora…
José Valgode
