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A vivência na aldeia global contemporânea

Nos tempos que correm passa-se por uma época em que se opera uma grande mutação civilizacional e da sociedade humana, impelida pelo avanço tecnológico e incremento científico, cuja evolução está intimamente relacionada com a investigação e desenvolvimento em todas as áreas da vida moderna.

Assim sendo, usufrui-se um tempo de grande agitação de ideias, na procura de novas soluções políticas, sociais e económicas, ou seja, em busca de um novo paradigma.

Novos conceitos e práticas sobre produtividade, competitividade e rentabilidade, aplicados na incessante busca de produtos e serviços cada vez mais sofisticados, por forma a satisfazerem as crescentes necessidades e expectativas da humanidade, contribuem para a emergência de situações de stress e até de ansiedade, e como consequência, a possibilidade do surgimento de efeitos nefastos para a saúde.

De facto, viver em pleno século XXI tornou-se complicado, dado que o tempo decorrente corresponde a uma época em que a única coisa constante é a mudança e, como tal, exige um elevado grau de adaptação humana à vivência na aldeia global contemporânea.

A poluição, o transporte público precário e os grandes congestionamentos, entre outros, contextualizam a envolvência do trabalho nos centros urbanos e regiões metropolitanas, provocando no ser humano desgaste e tensão que, associado ao excesso de informações e preocupações, constituem fontes de stress.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2016), o stress enquadra-se numa doença associada a resultados desastrosos, com várias alterações orgânicas, debilitando o corpo e a mente. É mesmo tido como uma das principais razões do elevado recurso a consultas médicas e da baixa de produtividade no trabalho, afectando mais de 90% da população mundial e, por isso, já é considerado uma epidemia global.

A deslocação estratégica das actividades económicas de umas regiões para outras, atinente à obtenção de ganhos através da diminuição dos custos de produção, fazem com que haja também repercussões no mercado de trabalho em termos de mais exigência e maior mobilidade.

Quanto aos trabalhadores, vários estudos já feitos sobre o mercado de trabalho global permitem-nos concluir que o avanço profissional e a necessidade de mudar de carreira estão entre os principais motivos para a ocorrência de mudanças de emprego e em que a tendência da mobilidade se inclui e aumenta.

Entretanto, face à deslocalização de empresas, à precariedade do trabalho e ao desemprego, tem havido a propensão para se trabalhar no estrangeiro, perspectivando-se melhorias no currículo e, consequentemente, na carreira profissional, enriquecida por novas experiências vivenciais e formas diferentes de ver o mundo e a vida.

Contudo, a decisão de saída de um país para outro, na procura de melhores condições de vida, não é nada fácil em face dos desafios que se têm pela frente, tais como, o novo idioma, a diferente cultura, outros usos e costumes, a situação financeira e o que se deixa para trás, nomeadamente, os laços familiares e de amizade.

Efectivamente, a distância dos entes queridos e amigos, e a alteração do modus vivendi anterior, a que se pode juntar a dificuldade de aculturação e desempenho de novos trabalhos, são factores que contribuem também para situações de mal-estar psicológico caracterizados por tensão, nervosismo, preocupações excessivas e recorrentes, irritabilidade e insónias, que podem culminar numa depressão. Um exemplo disto, é a chamada “Síndrome de Ulisses” em que o indivíduo apresenta um stress crónico, desencadeado pela perda da família, dos amigos, da cultura de origem, da casa, da posição social e da segurança física (Achotegui, 2002).

Pelo exposto, pode inferir-se que os principais motivos do stress têm a ver com o ritmo de vida moderna e, como forma de combatê-lo torna-se necessário e fundamental o apoio de um profissional na área da saúde mental, e em particular, o acompanhamento psicológico, tanto no trabalho como na vida pessoal.

Por Ivandro Soares Monteiro & Guia Ribeiro