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Ao RR, às confreiras e aos confrades

À roda de três décadas deslocava-me com alguma regularidade à segunda capital do país – Lisboa, porque a primeira é Felgueiras.

Entre outros motivos, era sobretudo em actividades da AJEP (Associação de Jovens Escritores de Portugal) que tinha lugar na sede da SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), para além do estilo de vida à epoca, decorrente da vida comum a qualquer mortal.

Um dia – creio que era sexta-feira – saio do autocarro em direcção a uma caixa Multibanco para levantar dinheiro. Por mor da viagem de algumas horas com a carteira no bolso de trás das calças, o cartão não me permitia levantar dinheiro.

Que aflição!

Nem ia ter um Banco onde pudesse levantar dinheiro com um cheque por causa das 15 horas que o relógio dava nota.

Plena Avenida da Liberdade, da supracitada segunda capital, movimentava-me apressadamente e, quiçá um grande pedacinho preocupado, de pescoço esticado à procura de um Banco.

Um respeitável circunstante dirige-se a mim a perguntar-me se eu era o Phil Collins. Nem me recordo suficientemente o que falámos para além de ter dito que não era.

Apresso-me ao encontro de um Banco que entretanto descortinara. Mas as quinze horas já carregavam uns minutitos a mais.

Sorte a minha… Quer dezer… esperança a minha ao ver que na tarde de canícula as portas estavam abertas, fechadas apenas pelas grades. Pude dar conta da minha preocupação aos senhores, que não abrindo a porta me resolveram a situação através das grades, trocando o meu cheque por uma importância de dinheiro que não recordo. Mas posso afiançar que não era muito porque a minha conta não tinha muito.

Descarreguei uma boa quantidade de quilovolts.

Respirei ofegante de bastante sossego.

Rebobinei a história do respeitável circunstante, e recordei que o músico estivera uns dias antes antes no Estádio de Alvalade.

Em boa verdade eu ao tempo tinha um pouco mais de cabelo e umas melenas atrás. E é quando me lembro que cá, na primeira capital que é Felgueiras, uns colegas por vezes me chamavam Phil Collins. Parece que oiço as interjeições de alguns.

Por mor disso, uma promotora de sósias, propôs-me fazer umas fotografias para a eventualidade de precisar de quem se fizesse passar pelo Phil. Creio que não anuí, pese ter feito as fotografias.

Vim isto a propósito de quê?! O Raúl Reis – doravante RR – nosso lídimo director no BOM DIA, há dias brindadou-me com uma graça bem conseguida perante os bomdianos, na página dos colaboradores do BOM DIA.

Dizia ele que me “em Inglaterra o Mário Adão Magalhães usa o pseudónimo Brian Eno, e partilhou uma notícia sobre uma carta aberta que o músico britânico escreveu sobre o Brexit, ao que eu retorqui que o “Mário Adão lusitano, quiçá sovela, não escreve cartas. Escreve missivas!”.

O RR é da capital, a primeira, que é Felgueiras. É contemporâneo desde os primeiros anos da escola.

RR ter-se-á vingado de mim, ante alguma bonomia que eu algumas vezes passo ou perpasso nas minhas comunicações e muitas outras vezes nas comunicações pessoais.

E prontus: quem estava à espera duma história e mesmo de uma prosa bonominada – não confundir bomdiana – , que leu isto, se chegou aqui, ao fundo, nos fundilhos, eu me penitêncio. Certamente RR um dias terá o meu “pago”.

Deste modo, e na pessoa do RR, cumprimento todas as confreiras e todos os confrades e ainda quem queira ser por mim cumprimentado, incluindo os leitores, claro, ainda com o desejo de bom ano, e quem sabe mesmo se RR não me paga…

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)

 

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