Arrendar no Porto custa 76% mais do que há cinco anos. Comprar subiu 44,3%
Pela primeira vez, o mercado imobiliário do Porto segue em sentidos opostos. Em setembro de 2026, as rendas na cidade recuaram 4,4% face ao mesmo mês de 2025, enquanto os preços de compra subiram 9%, o valor mais elevado da série histórica. A conclusão é da análise do portal Idealista, que compara os valores de setembro de 2021 com os de setembro de 2026.
Em cinco anos, o custo de arrendar casa no Porto subiu 76,4% e o da compra cresceu 44,3%. Para Ruben Marques, porta-voz do idealista, “os dados dos últimos cinco anos mostram um mercado a dois ritmos: as rendas no Porto quase duplicaram, mas 2026 marca o primeiro recuo homólogo desde 2021, o que poderá ser um sinal de mudança de ciclo. Na compra, o sentido é oposto: os preços atingem máximos históricos e a aceleração não dá sinais de parar. Esta dinâmica estende-se a toda a Área Metropolitana, onde concelhos como Gondomar e Vila do Conde quase duplicaram o preço de compra em cinco anos”.
No arrendamento, a renda mediana na cidade passou de 10,8 euros/m2, em setembro de 2021, para 19 euros/m2, em setembro de 2026. O maior salto aconteceu entre 2022 e 2023, com uma variação homóloga de 34,6%, o pico absoluto do período. Desde então, o ritmo abrandou de forma progressiva: 7,3% em 2024, 4,2% em 2025 e -4,4% em 2026, o primeiro ano com variação homóloga negativa.
No distrito do Porto, as rendas subiram de 9,9 euros/m2 para 16,3 euros/m2, um aumento de 64% em cinco anos. A variação homóloga em 2026 foi de -4,3%, em linha com a cidade. Entre os concelhos da Área Metropolitana do Porto (AMP), a Maia foi o que mais cresceu no arrendamento este ano (10,8%). Vila do Conde liderou a valorização acumulada (86,8%), mas registou o maior recuo em 2026 (-8,2%). Gondomar (81,2%) e a Póvoa de Varzim (70,8%, calculado entre 2021 e 2025, porque os dados de setembro de 2026 não têm volume suficiente) também tiveram subidas acentuadas em cinco anos. Vila Nova de Gaia (-1,5%) completa o grupo de concelhos com recuo homólogo. Matosinhos (4,1%), Gondomar (2,9%) e Valongo (5,1%) registaram subidas.
Na compra, o preço mediano na cidade do Porto fixou-se em 4.346 euros/m2, face a 3.011 euros/m2 em 2021, uma valorização de 44,3%. A variação homóloga de 9% em 2026 é a mais elevada de todo o período. Ao contrário do que sucede nas rendas, o mercado de compra não mostra sinais de abrandamento.
Os concelhos periféricos registaram as maiores valorizações em cinco anos. Gondomar quase duplicou o preço, de 1.292 para 2.522 euros/m2 (95,2%), e Vila do Conde chegou aos 2.814 euros/m2 (93,9%). Valongo (82,2%), Maia (73,9%) e Vila Nova de Gaia (70,6%) também tiveram subidas expressivas. Em 2026, Valongo (17,6%) e Gondomar (16,4%) registaram as maiores subidas anuais da AMP. Este ano ficou ainda marcado por dois novos máximos: Matosinhos ultrapassou pela primeira vez os 3.500 euros/m2 (3.676 euros/m2), e Vila Nova de Gaia superou os 3.000 euros/m2 (3.046 euros/m2). No conjunto do distrito, o preço mediano de compra é de 3.149 euros/m2, mais 39,2% do que em 2021, com uma subida homóloga de 5,2%.
O idealista atualizou a metodologia do seu índice de preços da habitação para se adaptar às mudanças do mercado. Os novos filtros permitem identificar e excluir do cálculo o arrendamento sazonal ou de férias, que não reflete o mercado residencial convencional. Foi também reforçada a deteção de valores anómalos, com técnicas estatísticas mais robustas, e a nova metodologia foi aplicada retroativamente a toda a série histórica, para garantir a comparabilidade dos dados.
O índice assenta nos preços de oferta, com base nos metros quadrados construídos, publicados pelos anunciantes da plataforma. Os anúncios atípicos e com preços fora de mercado são eliminados, e o resultado final é a mediana de todos os anúncios válidos de cada mercado.