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Cabo Verde: tensão junto à Embaixada de Portugal

A manifestação que juntou, na Praia, mais de um milhar de pessoas, desmobilizou sem mais incidentes ao fim de duas horas, depois da intervenção da polícia cabo-verdiana na Embaixada de Portugal e na residência oficial da embaixadora portuguesa.

A manifestação, apresentada como uma marcha pacífica e silenciosa, resultou numa das maiores de sempre realizadas na cidade da Praia e pretendia reclamar por justiça para caso do estudante cabo-verdiano Luís Giovani, de 21 anos, que morreu em Portugal em 31 dezembro após alegadas agressões sofridas à porta de um bar, em Bragança.

A saída dos manifestantes aconteceu cerca da 15:45 locais (mais uma hora em Lisboa) do dia 11 de janeiro, com a marcha a percorrer várias artérias da cidade capital até à concentração em frente à Embaixada de Portugal, começando por assinalar a presença com uma salva de palmas geral e o lançamento de balões brancos.

Pelas 16:40 locais, após vários minutos concentrados a cerca de 200 metros da Embaixada de Portugal, os manifestantes foram consecutivamente derrubando os gradeamentos policiais que travavam o avanço, forçando o recuo das dezenas de agentes da Polícia Nacional e que acabaram por formar um cordão à volta das instalações, mas já junto ao muro.

Ao fim de alguns minutos de tensão junto aos portões da Embaixada, o gigantesco cordão humano seguiu para a Assembleia Nacional e depois para a residência oficial do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, repetindo os gritos exigindo a Portugal justiça para o caso do estudante cabo-verdiano.

Voltaram a ser travados por agentes da Polícia Nacional já à porta dos respetivos edifícios.

“Queremos justiça” e “Justiça para o Giovani” foram algumas das palavras de ordem ditas pelos manifestantes, a maior parte vestida de branco.

Cortando o trânsito em várias artérias, os manifestantes, de todas as idades, rumaram depois para a residência oficial da embaixadora de Portugal em Cabo Verde, Helena Paiva, onde encontraram um forte reforço policial, já com dezenas de elementos do Corpo de Intervenção, que travaram a aproximação a poucos metros.

A Lusa não assistiu a qualquer detenção durante a manifestação, que terminou, após novos momentos de tensão ainda à porta da residência oficial da embaixadora portuguesa, cerca das 17:45 locais, com a desmobilização dos manifestantes, por entre críticas à Justiça portuguesa e à atuação da Polícia Nacional de Cabo Verde.

Vigílias de homenagem ao estudante cabo-verdiano Luís Giovani realizaram-se em Lisboa, Bragança, Praia (Cabo Verde), Londres, Paris e no Luxemburgo.

Luís Giovani dos Santos Rodrigues morreu em 31 de dezembro do ano passado no hospital, após ter sofrido uma agressão perto de um bar em Bragança onde estivera com amigos.

O caso está sob investigação da Polícia Judiciária portuguesa.