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Campanha portuguesa quer salvar livrarias

Uma campanha de ‘crowdfunding’ para apoiar as livrarias independentes foi lançada na segunda-feira, com o objetivo de angariar 500 euros até final do ano, a aplicar em medidas que promovam a sua sobrevivência face à voracidade das grandes superfícies.

Lançada por Rui Martins, membro ativo do Fórum CidadaniaLx, a campanha de financiamento colaborativo “Apoiar as Livrarias Independentes” pretende captar recursos suficientes para adotar medidas para “salvar o que resta do setor livreiro independente”.

“Com os recursos aqui captados iremos promover anúncios nas redes sociais, em cartazes e em ‘flyers’, que recordem aos cidadãos a importância de preferirem comprar os seus livros em livrarias e não em super ou hipermercados e que os recordarão dos locais das livrarias que estão próximo dos locais onde serão afixados e distribuídos”, explica o promotor da iniciativa num comunicado.

Os recursos destas campanhas servirão também para comprar livros em livrarias independentes para os doar a escolas, infantários, zonas carenciadas e bibliotecas públicas.

Na base desta iniciativa está o risco de deixar de haver livrarias independentes, a menos que “algo seja feito num prazo muito curto e que esse algo seja, realmente, decisivo”, justiça Rui Martins.

O promotor da iniciativa recorda ainda a “Carta Aberta para sair da crise do setor do livro e da leitura” lançada há mais de um ano (abril de 2018) que, “não só não teve ainda respostas à altura da dimensão deste cruzamento de crises, como ainda viu a sua situação agravar-se mais”.

Este cruzamento de crises a que alude é a “competição desleal das plataformas na Internet (da Wook à Amazon), o aumento das rendas provocado pela pressão do turismo nas grandes cidades, a concorrência desleal dos grandes grupos económicos, a concorrência de novas formas de leitura (ebooks, kindels, tablets e telemóveis), a queda generalizada dos padrões de leitura e a captura de tempo de leitura pelos telemóveis”.

Para Rui Martins, esta conjuntura está a empurrar o país para se tornar um “sítio sem livrarias independentes, integradas na comunidade, agentes culturais e participantes no desenvolvimento de uma comunidade e onde apenas os gigantes nacionais, numa primeira fase, e as grande multinacionais conseguirão sobreviver”.

É na sua defesa “contra os grandes gigantes globais e contra os oligopólios que se instalaram em Portugal” que Rui Martins lançou esta iniciativa e insta o Estado central e as autarquias locais a adotar medidas como promover rendas apoiadas para os livreiros independentes, “taxas de IMI” reforçadas sobre os espaços comerciais que permaneçam vazios, criar zonas por bairros que determinem limites à instalação de grandes superfícies comerciais.

Outras medidas defendidas são a criação de legislação que favoreça o estabelecimento de contratos de arrendamento para ciclos de dez anos, a definição do estatuto de “Livreiro Independente” e o reconhecimento do papel de “agentes culturais” por parte dos livreiros independentes, estimular a criação de uma “central de compras” para os pequenos livreiros e desenvolver programas municipais de apoio às livrarias independentes.

Rui Martins recorda que a quantidade de livrarias independentes que fechou em Portugal nos últimos anos “ocorre num contexto de declínio consistente” num mercado que passou dos 14,9 milhões de livros vendidos em 2009 para os 11,7 comprados em 2018.

A campanha, lançada no dia 05 de novembro, e que até ao momento angariou 25 euros de um apoiante, vai decorrer até às 18:00 de 31 de dezembro de 2019.

Na página do ‘crowdfundig’ é esclarecido que a campanha só será financiada se angariar um mínimo de 500 euros até à data limite.

Relativamente à calendarização dos projetos, em dezembro está previsto financiar campanhas no Facebook divulgando a existência, local e atividade de livrarias independentes (200 euros), em janeiro de 2020, o objetivo é comprar livros em livrarias independentes e doá-los a escolas, infantários, zonas carenciadas e bibliotecas públicas (250 euros) e em fevereiro prevê-se realizar debates públicos em vários locais do país e realizar uma segunda (menor) fase de divulgação no Facebook e de “compra-doação” de livros (50 euros).