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Chama-se “Ninguém”. Sou “Ninguém”

Apresento-vos o meu namorado
Ele chama-se “Ninguém”
Ele não tem coração, nem cabeça, nem pernas, nem membro nenhum e é um ser fantástico, ele é invisível…
Uma voz do outro lado, perguntou-me: “E és feliz com ele?”
“Se sou feliz? Feliz com ele? Eu diria nada sou e nada sinto com ele, nem felicidade, nem tristeza…”
“Stop… parem o filme… mas que raio de filme me trouxeste ver ao cinema… fogooo… sem jeito nenhum… triste… sem fundamento… “
Ela deu um grito… “parem… parem…“
Ela fugiu… correu, correu e fugiu… e entrou no útero da mãe onde ficou sem visão própria, onde a felicidade e a tristeza não é ela que escolhe…
Ela voltou a ser semente que nada diz, que nada pensa, que nada sabe e que não sofre de ser ela mesma… ela não sabe se será girassol ou árvore um dia, ou se será uma simples ervinha verde que todos calcam… mas que isso importa?
Ela não pode ser ela, nem o Ela, nem a Ousada, nem a Inteligente, nela só pode ser essa infelicidade que todos decidiram para ela…
“Xiuuuuu… xiuuuuu… silêncio… estás no útero… estás abrigada de toda a crueldade inconsciente… respira pelo ar dessa tua mãe e apenas apenas respira…”

BV 18.11.2018