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Confinamentos regressam um pouco por toda a Europa

Com o aumento de casos e mortes relacionadas com a covid-19 em vários países, os governos europeus estão mais uma vez a impor restrições para tentar controlar o avanço da pandemia. Depois de ultrapassar os 10 mil casos diários, Portugal prepara-se para mais um confinamento já esta semana. E o resto da Europa?

Um dos primeiros países a decretar um novo confinamento foi o Reino Unido. Numa altura em que registava mais de 58 mil casos diários, o primeiro-ministro britânico anunciou um confinamento de seis semanas, com as escolas encerradas pelo menos até ao dia 5 de fevereiro. Boris Johnson pediu aos cidadãos que fiquem em casa, considerando que o país está num “momento crítico” e que são necessárias fortes medidas para travar o avanço da nova, e mais contagiosa, variante do novo coronavírus.

Em Inglaterra o comércio não essencial, cabeleireiros e ginásios permanecem encerrados e os bares e restaurantes só podem servir em regime de take-away.

Com mais de 80 mil casos de covid-19 desde o início da pandemia, a Irlanda, o país do mundo com maior média de novos casos por milhão de habitantes, repôs no dia 24 de dezembro um novo confinamento geral. Inicialmente previsto até ao dia 12 de janeiro, o primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, admitiu, contudo, que o confinamento poderia prolongar-se até ao início de março, ainda que com o alívio de certas medidas.

No dia 26 de dezembro, o governo da Áustria introduziu um terceiro confinamento geral. O recolher obrigatório durante todo o dia está em vigor até ao dia 24 de janeiro e as escolas e lojas encerradas até dia 18. No entanto, entre 18 e 24 de janeiro, as escolas, lojas e restaurantes vão ficar abertos apenas para aquelas pessoas que tenham realizado um teste antigénico com menos de uma semana.

A Alemanha, em confinamento desde meados de dezembro, iniciou na segunda-feira a nova fase – mais restrita – do segundo confinamento, que vai prolongar-se até ao dia 31 de janeiro com restrições da atividade da administração pública e atividade económica. As atividades culturais e de lazer, restauração e negócios “não essenciais”, assim como as escolas, permanecem encerrados. Em Berlim os habitantes não podem afastar-se mais do que 15 quilómetros do local onde vivem.

Esta semana, a chanceler alemã avançou que se as autoridades não conseguirem controlar a pandemia da covid-19 na Alemanha, o país enfrenta mais 10 semanas de confinamento com restrições agressivas. “Se não conseguirmos parar este vírus britânico, na Páscoa teremos um número de casos 10 vezes superior. Precisamos por isso de mais oito a 10 semanas de medidas duras”, disse Angela Merkel.

A Dinamarca, que estava novamente sob fortes restrições mas cujo confinamento deveria terminar no dia 3 de janeiro, decidiu na passada semana pelo seu prolongamento. Desde o dia 6 de janeiro que é proibida a reunião de mais de cinco pessoas (eram permitidas 10), quer no domicílio quer no exterior, e a distância a respeitar entre as pessoas passou de um para dois metros. “Fiquem em casa o mais possível, evitem encontrar-se com pessoas sem ser os familiares”, apelou a primeira-ministra dinamarquesa, Mete Frederiksen.

Se houver condições, estas medidas – que se juntaram às já em vigor, como o teletrabalho generalizado e o encerramento das escolas e lojas não essenciais – serão levantadas a partir de 17 de janeiro. Frederiksen alertou, no entanto, para a possibilidade de as restrições serem estendidas ou até reforçadas. “Podem já preparar-se para isso”, disse. As creches e jardins-de-infância continuam a funcionar.

Em Itália, onde foi decretado um confinamento durante a época festiva, o executivo de Giuseppe Conte aprovou um novo decreto que estará em vigor entre os dias 7 e 15 deste mês. A circulação entre regiões não é permitida exceto por razões de saúde, emergências ou trabalho. No país, continua em vigor o recolher obrigatório nacional a partir das 22h00 e os bares e restaurantes permanecem encerrados a partir das 18h00. A partir dessa hora só é permitido aos estabelecimentos de restauração trabalharem em take-away.

Em meados de dezembro, o governo da Polónia anunciou um confinamento parcial em todo o território até ao dia 17 de janeiro. Os centros comerciais, hotéis e estâncias de esqui foram encerrados, ficando apenas abertos os estabelecimentos comerciais considerados essenciais, como supermercados e farmácias. As escolas, em todos os níveis de ensino, permanecem fechadas pelo menos até ao próximo domingo.

Nos Países Baixos, que entraram em confinamento em meados de dezembro e encerraram escolas, bares, restaurantes, teatros e lojas não essenciais, as restrições deverão durar pelo menos até ao final de janeiro.

Tal como Portugal, França aliviou as medidas para o Natal mas apertou o cerco no Ano Novo. O confinamento que estava em vigor no país desde o início de novembro foi substituído a meio de dezembro por um recolher obrigatório entre as 20h00 e as 6h00 até ao dia 20 de janeiro – a medida esteve suspensa apenas na véspera de Natal. Restaurantes, comércio e salas de espetáculos continuam encerrados.

As restrições variam em função das regiões segundo o grau de contágio registado.

Na Bélgica é exigida desde o dia 31 de dezembro aos viajantes que entrarem no território uma quarentena de dez dias e a obrigatoriedade de testes a quem chega a partir de 2 de janeiro. A medida estará em vigor pelo menos até ao dia 15 deste mês.

Com recolher obrigatório entre a meia-noite e as 5h00, o teletrabalho é exigido. Os bares e restaurantes encontram-se encerrados, com o take-away permitido até às 22h00. Este domingo, o país ultrapassou os 20 mil mortos relacionados com o novo coronavírus.

Espanha, em estado de emergência, exige um recolher obrigatório entre as 23h00 e as 6h00, podendo variar uma hora – a mais ou a menos – entre comunidades. Na semana passada, a Catalunha anunciou um endurecimento das restrições, proibindo a circulação entre concelhos e encerrando ginásios e centros comerciais. As medidas estarão em vigor pelo menos até dia 17 deste mês.

Médicos e especialistas, citados pelo El Mundo, alertam para a urgência de regressar a um confinamento domiciliário para travar a propagação do novo coronavírus. O nível de incidência acumulada (pessoas contagiadas) teve um aumento significativo nos últimos dias, chegando esta terça-feira aos 436 casos diagnosticados por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.

Epidemiologistas ouvidos pelo jornal espanhol chegam a referir a necessidade de um confinamento domiciliário de pelo menos dois meses.