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Costa: Aqueles que foram obrigados a sair do país devem ter oportunidade

O primeiro-ministro disse, em Alcanena, que a notícia de que o saldo migratório foi positivo pela primeira vez desde o início da crise “é talvez o melhor sinal de confiança” para a economia e o futuro do país.

António Costa, que dedicou o dia a visitar empresas que têm contribuído para o crescimento económico do país, falava num pavilhão que a Couro Azul, indústria de curtumes de Alcanena (distrito de Santarém), está a construir para ampliar a produção, 87% da qual se destina a exportação.

Referindo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, que indicam que em 2017 saíram menos 20.000 pessoas do país comparativamente às que tinham emigrado em 2015 e que entraram mais 17.000 do que as que tinham imigrado nesse ano, o chefe do Governo socialista afirmou que “esta inversão do saldo migratório é o melhor sinal” para a confiança na economia e no futuro do país.

“Ninguém vem trabalhar para um país em que não tenha expectativa de poder encontrar emprego e poder desenvolver a sua carreira”, disse, frisando que “quando as pessoas deixam de sair é porque acreditam” que vão poder encontrar emprego e que se podem desenvolver no país.

Costa referiu que as empresas dos diversos setores e nas mais diferentes regiões do país apontam como “um ponto crítico” para continuar a crescer o aumento e a qualificação dos recursos humanos.

“E é por isso que temos que ser um país aberto a quem aqui vem procurar emprego, temos que ser um país que se empenha em fixar aqueles que cá vivem e um país que não pode desistir de ajudar a regressar aqueles que nos anos mais duros da crise foram obrigados a sair do país e que agora devem ter a oportunidade de regressar”, declarou, relembrando a proposta de que orçamento do Estado para o próximo ano permita aos que regressem em 2019 e 2020 uma isenção de 50% do IRS sobre o seu vencimento durante cinco anos.

O primeiro-ministro disse acreditar que essa medida “ajudará a motivar muitos” e “ajudará as empresas a fazer a trajetória para serem mais competitivas também na atração de pessoal”, permitindo a continuação do crescimento.

Costa deixou uma “palavra de confiança” perante os “bons resultados” de uma economia que “vive um bom momento”, destacando os 341 mil novos empregos criados nos últimos três anos e o facto de 89% desses postos de trabalho serem contratos sem termo, a que acrescentou a subida dos vencimentos em 3,4% no último ano, “claramente acima da inflação”.

Sobre a Couro Azul, empresa do Grupo Carvalhos, fundado em 1939 e que se mantém na família, o Primeiro-Ministro afirmou que o seu sucesso se deve ao facto de ter sempre apostado na inovação.

Em particular, referiu a conquista, em 1996, do primeiro concurso para fornecer os volantes da Volkswagen e, depois, os concursos da Volvo, tendo chegado igualmente à indústria aeronáutica e à ferrovia, tendo não só sobrevivido à crise do calçado que afetou o setor na década de 1980, mas conseguido crescer.

Durante a tarde, António Costa, que se fez acompanhar nesta deslocação pelo ministro adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, e pelos secretários de Estado da Internacionalização, Eurico Brillhante Dias, e adjunta do Primeiro-Ministro, Mariana Vieira da Silva,visitou três empresas em Mangualde, a Maviva, a Lear e a Sonae Arauco.