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Diáspora lusa em risco caso Portugal envie militares para Moçambique

O ex-militar português e dirigente da diáspora na África do Sul, José Luís da Silva, afirmou que os emigrantes e lusodescendentes correm “sérios riscos” de represálias se Lisboa enviar tropas para Cabo Delgado.

“A África do Sul já recebeu ameaças de represálias se interferir em Moçambique, nomeadamente em Cabo Delgado”, e , “certamente que Portugal também ficará implicado e pode haver também represálias em Portugal, nas Regiões Autónomas, e na diáspora devido a esta intervenção de Portugal em Cabo Delgado, e isso tem de ser acautelado”, adiantou José Luís da Silva, que é dirigente da diáspora madeirense.

O ex-militar português condecorado, de 75 anos, que serviu de 1967 a 1969 na unidade de Forças Especiais “Os Fantasmas” da 9ª Companhia de Comandos do Exército português, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, contra as forças da guerrilha da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), hoje no poder, sublinhou que o fornecimento de armamento para África tem aumentado a violência nas cidades de todo o continente, salientando que as redes do crime se estendem já desde o norte de Moçambique à Cidade do Cabo, na África do Sul.

Caso Portugal decida dar um apoio mais efetivo às tropas moçambicanas, existe um risco para os portugueses e os interesses portugueses no exterior, nomeadamente em África, devido às ligações internacionais dos movimentos ‘jihadistas’.

Estima-se que existam dois milhões de moçambicanos imigrantes na África do Sul, país onde são alvo de constantes ataques de violência xenófoba, e o número de portugueses e lusodescendentes em pelos menos 450 mil, uma das maiores comunidades emigrantes fora de Portugal que tem a sua história muito ligada ao processo de descolonização de Angola e Moçambique.

“Nós sabemos que a África do Sul está infestada, não direi de terroristas, mas de criminalidade que vitimou 22.325 pessoas no ano passado, e pergunto se não há nenhuma preocupação dos países europeus, se Portugal não está preocupado com a África do Sul e está preocupado com cinco ou dez portugueses que vivem em Cabo Delgado”, questionou ainda o ex-militar.

A província de Cabo Delgado (na altura distrito), onde a Guerra da Independência de Moçambique teve início a 25 de setembro de 1964 com um ataque da guerrilha da Frelimo ao posto administrativo de Chai, distrito de Mueda, e onde avança atualmente o maior investimento privado de África, para exploração de gás natural, está desde há três anos sob ataque de insurgentes e algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico desde 2019.