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Embaixador cessante garante que espera nos consulados franceses vai diminuir

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O embaixador de Portugal em França, Jorge Torres Pereira, terminou a sua missão em terras gaulesas e garante que a espera para obter documentos nos consulados vai diminuir e que o Governo francês está empenhado no ensino do português.

“Houve um esforço de colocar novos funcionários [nos consulados] e quando o tempo de espera começar a cair, vai começar a cair mais rápido do que as pessoas imaginam, mas é preciso gerir expectativas e não esperar que vamos ficar já numa situação ideal”, disse Jorge Torres Pereira em entrevista à Lusa.

O diplomata português, colocado em França desde 2017, considera que o consulado-geral de Paris, onde o tempo de espera para obtenção do cartão de cidadão é agora de cerca de três meses, faz “uma omelete muito substancial com os ovos de que dispõem”. 

A covid-19 e o consequente encerramento durante vários meses do consulado criou “um engarrafamento” que coincidiu com a reforma de vários funcionários, segundo o embaixador, com a curva do tempo de espera a diminuir nos próximos meses.

Este é o último posto da carreira de Jorge Torres Pereira, depois de ter passado por Londres, Moscovo ou Pequim e a comunidade portuguesa que encontrou em França surpreendeu-o de forma positiva.

“Tenho muita admiração e respeito pela nossa comunidade, por não baixarem os braços, pelo lado combativo. Fui surpreendido realmente pelo facto de ter percebido que a lembrança da vida difícil da geração dos pais e dos avós tinha sido superada e a minha apreciação geral é que não perdemos as características positivas do afeto e não temos uma atitude derrotista que às vezes se encontra em Portugal”, indicou.

O embaixador disse, no entanto, que gostava ver mais exigência no que diz respeito às expectativas das famílias portuguesas face ao futuro dos jovens franco-portugueses, defendendo que isso também inclui a aprendizagem do português em França. 

Há algumas semanas, o diplomata português foi recebido pelo ministro da Educação francês, Pap Ndiaye, havendo pontos de vista diferentes entre a educação nacional francesa, que assegura o francês a partir do ensino básico e os pais portugueses que se queixam de haver pouca oferta de português.

“Tive oportunidade de lhe transmitir o que temos feito. A questão é que a parte portuguesa vê a coisa pelo prisma da oferta, isto é, estamos sempre a pedir mais abertura para os concursos dos professores. O lado francês vê que se há 100 crianças que querem português e é preciso um professor e o próprio ministro concordou comigo que precisamos ajustar estas duas ideias. O nosso ponto de partida é diferente”, lamentou o embaixador.

No entanto, Jorge Torres Pereira assegurou que o Governo gaulês “aposta no multilinguismo e não há dúvida que reconhecem a importância das línguas”, mas que tem de haver também maior número de inscrição das famílias lusófonas.

O importante para este diplomata é que a língua portuguesa seja sempre aprendida num contexto escolar e não se continue a recorrer às associações para colmatar a falta de ensino de português em várias escolas no território francês. Questionado sobre o papel das associações portuguesas em França, o diplomata considera que estas se devem adaptar ao século XXI.

“Da mesma maneira que as terceiras ou quartas gerações da comunidade portuguesa não são iguais à primeira, as associações em França, em pleno século XXI, não podem ser iguais às associações que existiam antigamente. As associações serão em muito menor número, porque eram núcleos de entreajuda que se criaram, e à medida que há maior integração, essa necessidade vai diminuindo”, declarou.

Jorge Torres Pereira será substituído nos próximos dias por José Augusto de Jesus Duarte, até agora embaixador de Portugal na China.

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