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Mais um dia de quarentena: a deriva espanhola

Que se pode dizer de uma quarentena ao final de quinze dias?

Mais um dia em que levantar cedo não faz falta, mas a minha ideia era essa: para ir comprar o necessário e não me cruzar com muita gente na rua, por mim e pelos outros, mas no final não foi assim.

Aproveitei e fiz o que não fazia há muitos anos: pintar paredes e portas. Ah, e uma das coisas mais importantes: brincar com o filhote e a senhora. Sorte que não vivemos nestes apartamentos modernos de 50 metros.

Quanto aquilo que nos ocupa diariamente, hoje tivemos a demonstração total de como o governo espanhol anda à deriva. Tal como tenho alertado, não são pessoas competentes para comandar a situação, na minha opinião.

Vários setores, há duas semanas, pediam a gritos o confinamento total. Ainda estávamos no principio mas só hoje, quase 6000 mortos depois, o governo espanhol cedeu.

Quando digo deriva quero dizer que se atua tarde. O Ministério da Saúde teve de devolver 600.000 testes rápidos porque não eram fiáveis, tal como dizia o próprio folheto informativo e foram, ainda por cima, comprados a uma empresa sem licença.

Uma das medidas mais importantes que se esperava era que as empresas não pudessem despedir trabalhadores. E assim foi anunciado pelo governo, mas lida a letra pequena, vê-se que sim, que se pode despedir só que com uma indeminização mais alta.

As pessoas já não confiam no governo, pelo que se vê nas redes sociais, no meu entorno e na minha opinião.

Grande parte das pessoas diz que são decisões em cima do joelho; por isso se fala em deriva do governo.

Por fim, quero dizer que a Catalunha começa a notar o efeito de confinamento de uma parte do país. Pelo terceiro dia consecutivo baixam as vítimas, tanto mortais como contagiadas. Ainda que o confinamento represente grandes perdas económicas, a vida vale mais que o dinheiro.

Se tivermos saúde recuperaremos o dinheiro. E se assim não for, temos a vida; já não precisaremos dele.

Por isso não baixamos a guarda durante mais quinze dias em que vamos poder continuar a brincar com o filhotes.

Um abraço desde a Catalunha!

 

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