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Neto de Mandela comenta integração dos portugueses na África do Sul

A comunidade portuguesa na África do Sul deve “reforçar as vias de comunicação com o povo sul-africano” de maneira a atingir integração plena na sociedade local, defendeu na Mealhada, o neto do antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela.

“A comunicação é a chave da integração numa sociedade em mudança, que apresenta tantos problemas, mas que carrega muita esperança e inventividade, que são marcas do continente”, disse à Lusa Ndaba Mandela.

O neto do vencedor do Prémio Nobel da Paz de 1993 reconheceu que a integração dos portugueses na sociedade sul-africana “nem sempre foi fácil” e tem sido manchada por episódios de violência e insegurança.

Mas fez questão de “não distribuir culpas”, dizendo que a violência e a insegurança continuam a ser transversais no país africano. “Os assaltos, os crimes, não atingem apenas os portugueses. Afetam os portugueses, os gregos, os italianos, afetam todas as comunidades, e sobretudo afetam os sul-africanos”, comentou.

Ndaba Mandela deixou, no entanto, uma mensagem de confiança na sociedade sul-africana e na capacidade do continente para alcançar maiores padrões de desenvolvimento.

“Estou muito otimista. África é um continente cheio de jovens plenos de ideias, habituados a fazer muito com o pouco que dispõem”, afirmou.

O sul-africano, que preside à Africa Rising Foundation, assistiu na Mata do Bussaco (Mealhada) à plantação da primeira árvore do Bosque Madiba (como era conhecido Nelson Mandela), em homenagem ao líder histórico da luta contra o ‘apartheid’, que faria 101 anos.

A homenagem ao vencedor do antigo Presidente sul-africano resulta da cooperação entre a Câmara da Mealhada, Associação Patrulheiros e a Fundação Mata do Bussaco.

O Bosque terá 100 árvores numeradas, que representarão, cada uma delas, um momento da vida de Nelson Mandela. Será plantado no Parque dos Leões e áreas adjacentes, num local junto ao Palace Hotel, fustigado pelo furacão Leslie, em outubro de 2018.

“A Mealhada atribuiu um apoio de 30 mil euros à Associação Patrulheiros para alavancar as despesas iniciais do projeto”, disse à Lusa o presidente da Câmara, Rui Marqueiro.

A Associação Patrulheiros foi constituída para atuar nas áreas de prevenção e cidadania ambiental, apoiada numa aplicação informática que permite criar uma rede de voluntários.

De acordo com um protocolo celebrado entre as duas instituições, as receitas resultantes do apadrinhamento das árvores serão repartidas pela Fundação Mata do Buçaco (50%) e pela Associação Patrulheiros (50%) e reinvestidas no bosque, ao nível da dinamização de atividades com a comunidade no parque POP – Programa Operacional Pedalar local e promoção do Bosque, bem como da sua manutenção.

Durante a sessão que antecedeu a plantação da primeira árvores, a que assistiram as candidatas a Miss Portuguesa, Ndaba Mandela invocou a memória do avô, incentivando a assistência a gritar por diversas vezes “Viva Nelson Mandela, viva a Liberdade!”.