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“saia da zona de conforto”

apesar dessa ser uma frase bem comum no ambiente de sociedade de espetáculo, ela faz bastante sentindo quando observada cuidadosamente. Piadinhas de Süssie em comparação com a saia de vestir à parte [ entre números, que podem ficar apertados, cair bem, ficar longas ou curtas demais e assim como no Brasil, parece ser no mundo inteiro, sem padrão certo, normas, cada um acha que está certo por si ], é fato que não necessariamente damos passos adiante ao sair do dito “conforto”, pois muitas vezes já nascemos em seu oposto, na ausência de conforto. Neste caso, migramos para onde, então?

as mídias acabam por vender que se você se esforçar bastante, irá conseguir. Hoje vejo a “nova juventude” chegando aos 30 com muita dor de cabeça por não ter “vencido na vida” ainda. Comparam-se constantemente, por verem apenas imagens, edições de uma vida de conhecidos e famosos em que ele vê apenas flashes e nuances estampadas em suas timelines. Nem todos os que se esforçam chegarão “lá”, seja lá onde o lá signifique. E justamente por não sabermos onde fica o tal “lá”, nos frustramos. Queremos algo, mas não basta ter, tem que ser percebido pelo entorno e, se possível, invejado.

mas o fato é que o tempo voa e se não fizermos boas escolhas, poderemos nos arrepender dos passos não dados. Gastamos muita energia preocupados com o que os outros pensam.

ainda sobre o conforto, o que percebo disso é como uma teoria que sempre levei comigo, sem ter lido em local algum exatamente, mas que pode ser que exista em algum lugar, tendo por base que as palavras e ideias não se desmancham no ar; que é a ‘teoria da outra calçada’. Eu sempre testo o máximo de formas de fazer o mesmo caminho, o caminho de casa, para que as coisas não ser tornem “normais e descansadas”, apesar de que os perigos das travessias nas ruas e as horas dentro de um busão nunca me fizeram ou me permitiram relaxar de verdade. Quem nasceu fora da faixa Zona Sul/Barra entende melhor o que quero dizer. Olho para mim mesma de outra calçada e me observo com alteridades, tentando ver o que eu poderia fazer de diferente, se eu fosse, eu. xD

sair da zona de conforto para mim é fazer o que quiser, mesmo que todos digam não dará certo, que não entendam. Com riscos altos ou baixos, não importa. E não significa uma iluminação de negócio rentável ou algo que nos cai o colo da noite para o dia e vivemos disso. É descobrir-se livre, porque assim somos, se apenas nos concentrarmos em nos agradar e abraçar nossos desejos reais. Seja lá com o que estejamos fazendo, com o que nos formamos. A formação acadêmica é algo muito menor do que somos. Não levemos tão à ferro e fogo. Muitas pessoas vivem de mais de um emprego para manter suas famílias e nem por isso possuem uma vida menos criativa. Mas é preciso saber/querer olhar. Todas as profissões e trabalhos são importantes. <3

sobre liberdade, pode ser percebida em pequenas coisas: nessas duas semanas de correria de provas e conhecendo novas cidades, comprei uns óculos sensacionais. Logo percebi a incompreensão de uma pessoa em aceitar o modelo e cor que eu havia escolhido, mas era assim mesmo que eu queria e ouvi: “éeeeee, mas pra você tá bão”. [ espero que isso tenha sido elogioso, apesar de não mudar em nada, eles já passaram por dois países, desde então xD ]

constantemente, ao conversar pessoas do Brasil que nunca viveram aqui, fora do Brasil, ou em outras cidades brasileiras – e talvez por isso não compreendam o que é ser livre -, vejo dedos apontados para desconhecidos nas ruas em um gesto de “olha isso! Olha como essa pessoa se veste!”, em reprovação, seguido de riso e espanto.

talvez por isso eu tenha levado apenas 8 dias para me acostumar com o infinito de possibilidades que aqui existe. Mesmo sabendo zero do idioma e da cultura daqui. Mas as coisas mudam e hoje posso me dizer fluente e aprender a cultura deles só aprimora este processo. Pensamos que sabemos, conhecemos outros países, que aprendemos na escola, mas não fazemos ideia do que é, de verdade. Tenho pensado nisso também ao observar os países vizinhos, que são muito diferentes, mesmo tão próximos.

possibilidades existem no mundo todo, mas outro seres, “mais fortes”, nos ensinam a nos podar, nos reduzir. Assim como fazem secularmente com as mulheres. Tudo ganha o título de “afeminado” e não pode ser usado. Ontem a Arábia Saudita comemorou a vitória da liberação feminina na condução de transportes. E estamos em 2018, veja bem. Não à toa pulo de alegria quando vejo uma “menina de véu” pedalando pelas ruas das bandas de cá. É tão raro…

sobre liberdade de vestir: aqui a pessoa usa roupa repetida 3x na semana, furada, velha, o que for e está tudo bem. Ela adora essa roupa e é o que importa. Ninguém te olha de cima a baixo ou julga quem você é e com o que trabalha, com uma régua medida em cifrões. Não te perguntam o que você faz profissionalmente para definir se a conversa segue. As pessoas simplesmente conversam e descobrem afinidades, no caminho.

o mesmo se dá para afinidades cromáticas. Cores não têm donos certos, são apenas opções do que queremos ter por perto. Prefiro escolher cores e deixar pessoas para trás ao inverso. Se a pessoa me impede de ser eu, ela que fica e eu sigo. E isso não tem a ver com quem está com a verdade, que X nos fez assim etc, mas com respeitar as diferenças. Somos humanos. Só com isso já deveríamos saber que existe uma infinidade de alternativas particulares de se viver, que ainda estamos longe de conhecer/entender todas e por isso acordamos todos os dias: pois vale a pena seguir e descobrir um passinho a mais, todo dia.

é… Mais uma semana começando. Sigamos juntos. <3