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Teolinda Gersão: Maior sonho? Manter a saúde e a lucidez por muito tempo

Teolinda Gersão nasceu em 1940. Além de escritora é professora universitária. Publicou romances e livros de contos. Trata-se de uma das mais importantes escritoras portuguesas que já recebeu vários prémios literários: o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores pelo seu romance A Casa da Cabeça de Cavalo (1995), os Prémios de Ficção do Pen Clube pelos livros O Silêncio (1981) e O Cavalo de Sol (1989) e o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco por Histórias de Ver e Andar (2002).
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O que é para si a felicidade absoluta?

Algo que não existe.

Qual considera ser o seu maior feito?

Ter vivido, até este momento.

Qual a sua maior extravagância?

Ser capaz de perder tempo, só porque me apetece.

Que palavra ou frase mais utiliza?

Não faço a menor ideia!… (Rsrsrsrs)

Qual o traço principal do seu carácter?

A lealdade, desde logo a mim própria.

O seu pior defeito?

O perfeccionismo.

Qual a sua maior mágoa?

Não guardo mágoas, deito-as fora e logo as esqueço.

Qual o seu maior sonho?

Manter a saúde e a lucidez por muito tempo.

Qual o dia mais feliz da sua vida?

Não sou capaz de escolher! Muitos dias seriam candidatos a esse título…

Qual a sua máxima preferida?

“Não faças aos outros o que não queres que te façam”

Onde (e como) gostaria de viver?

Onde vivo, e exactamente como vivo. Não mudaria nada.

Qual a sua cor preferida?

Todas.

Qual a sua flor preferida?

A rosa.

O animal que mais simpatia lhe merece?

O gato.

Que compositores prefere?

Demasiados para nomear aqui. Mas posso referir Bach, Beethoven e Mozart.

Pintores de eleição?

Também demasiados para nomear aqui. Como exemplos possíveis, Amadeu de Souza Cardoso, Picasso, Egon Schiele, Magritte, Edward Hopper.

Quais são os seus escritores favoritos?

Idem. Mas vou referir os clássicos russos do século XIX, os franceses Flaubert e Proust, os ingleses Jane Austen e Virginia Woolf, os grandes americanos como Faulkner e Scott Fitzgerald. Dos americanos actuais que inundam o  mercado são poucos os que julgo que vão resistir ao tempo, a formatação da indústria editorial é demasiado grande.

Quais os poetas da sua eleição?

Idem. Mas ponho em lugar de destaque nas minhas preferências a poesia escrita em português. E não entendo por que razão numa edição recente da Pléiade dedicada à poesia portuguesa não aparece Ruy Belo, nem Sophia.

O que mais aprecia nos seus amigos?

A sinceridade.

Quais são os seus heróis?

As pessoas anónimas que se privam de quase tudo para pagar os crimes económicos dos governantes e dos poderosos.

Quais são os seus heróis predilectos na ficção?

Um exemplo possível: Pierre e Natasha (em Guerra e Paz).

Qual a sua personagem histórica favorita?

São muitas… Abraão Lincoln, Martin Luther King, Nelson Mandela…

E qual é a sua personagem favorita na vida real?

Na vida real só vejo pessoas, não vislumbro personagens.

Que qualidade(s) mais aprecia num homem?

A capacidade de se relacionar com uma mulher ( e de um modo geral,  com todas as pessoas ) de igual para igual.

E numa mulher?

A mesma: a capacidade de se relacionar com um homem ( e, de um modo geral, com todas as pessoas), de igual para igual.

Que dom da natureza gostaria de possuir?

Se fosse possível, gostaria  ter poderes mágicos. (Risos.) Mas não é possível … A arte é só uma aproximação da magia.

Qual é para si a maior virtude?

A honestidade.

Como gostaria de morrer?

De repente, e sem dor.

Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser?

Ainda bem que não posso regressar!

Qual é o seu lema de vida?

Não contribuir para tornar infelizes os que não posso fazer felizes.

 

(Questionário de Proust)

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