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Porto acolhe 15.ª edição do festival Family Film Project

© Family Film Project / Carolina Ribeiro

O Family Film Project – Festival Internacional de Cinema de Arquivo, Memória e Etnografia – regressa ao Porto de 12 a 17 de outubro, reafirmando o seu compromisso com os espaços de intimidade onde a vida se funde com o seu próprio registo vivencial. O programa deste ano coloca em destaque o trabalho do realizador norte-americano Alan Berliner e apresenta uma programação que cruza cinema, performance, exposições, video-instalações, masterclasses e oficinas, entre outros eventos.

O principal destaque desta edição é o foco dedicado ao realizador norte-americano Alan Berliner, com sete sessões de cinema que percorrem diferentes momentos da sua filmografia, desde “The Family Album” (1986), “Intimate Stranger” (1991) e “Nobody’s Business” (1996) até ao seu filme mais recente, “BENITA” (2025). A presença de Berliner no festival inclui ainda uma “masterclass”, uma conversa conduzida pelo investigador Efrén Cuevas e a inauguração da video-instalação “Translucence”, na Rampa.

A 15.ª edição conta também com outros convidados de relevo internacional. A realizadora portuguesa Susana de Sousa Dias apresenta o filme “Fordlandia Malaise” e uma masterclass intitulada “Nos limites do visível e do audível”, onde reflete sobre arquivos de poder. A investigadora e cineasta Alisa Lebow traz o filme Treyf (1998) e uma masterclass focada no “efeito de arquivo” no cinema de primeira pessoa. Por sua vez, Efrén Cuevas oferece uma reflexão teórica sobre as práticas contemporâneas de apropriação de filmes domésticos.

A competição internacional reúne quase três dezenas de filmes, mantendo a estrutura habitual, com sessões organizadas em torno de zonas temáticas: Vidas e Lugares (com enfoque em habitats e biografias), Memória e Arquivo (dedicada à apropriação poética de testemunhos) e Ligações (focada em dinâmicas interpessoais). Ainda na secção competitiva, inclui-se também uma sessão dedicada à Ficção & Animação e uma nova secção intitulada “Fotografia em Movimento”.

No cruzamento entre o cinema e outras artes, o ciclo performativo Private Collection regressa à Casa Comum com propostas de Tânia Dinis (“Antes do Fogo”), do duo polaco Agnieszka Janasik e Artur Janasik (“Shadow Control – Duetas Kisanaj”) e de Rossana Mendes Fonseca & Diogo Alves Pinto (“Dusty Blues, Flashes of White”). A vertente expositiva do festival expande-se com a instalação “C[ode de Peter Freund no Instituto”, peça que reconcetualiza a imagem de arquivo face à materialidade digital, e ainda a exposição “Dezoito imagens para ver o tempo passar” de Clara de Cápua, além da vídeo-instalação do artista em foco, Alan Berliner, na Rampa.

Dedicado também à formação dos mais novos, o festival promove a oficina infantil “Projeções Imperfeitas”, dirigida por Tânia Dinis, onde as crianças exploram o cinema analógico e a manipulação de película. A programação completa-se com o lançamento de um novo livro editado por Filipe Martins “Repetição e Acaso no Cinema: Elementos para uma abordagem fenomenológica à estética cinematográfica”, e com os habituais momentos de convívio nos Meeting Points e a festa “after hours” no Passos Manuel.

O Batalha Centro de Cinema acolherá todas as sessões de cinema e masterclasses. A restante programação distribuir-se-á pela Casa Comum, Rampa, Instituto, Aro Estúdio e Passos Manuel.

Mantendo-se fiel aos seus territórios fundamentais, o arquivo, a memória e a etnografia, o festival continua a explorar formas marginais da criação cinematográfica que se colocam na fronteira entre o público e o privado, entre o global e o local, e entre o documental e o performativo, transcendendo a arqueologia das imagens para confrontar as tensões críticas da contemporaneidade.

Ala Berliner em foco

O principal destaque da programação de 2026 é o foco dedicado ao cineasta norte-americano Alan Berliner, reconhecido pelo seu trabalho no documentário contemporâneo e pela construção de relatos autobiográficos através da montagem de materiais de arquivo e home movies.

O festival apresenta sete sessões de cinema dedicadas à sua obra, percorrendo filmes como “The Family Album” (1986), “Intimate Stranger” (1991), “Nobody’s Business” (1996), “Wide Awake” (2006), “First Cousin Once Removed” (2012) e “BENITA” (2025), além de uma sessão de curtas-metragens.

A presença de Alan Berliner inclui ainda a “masterclass” “Think Like a Filmmaker”, uma conversa com o cineasta conduzida pelo investigador Efrén Cuevas e a inauguração da videoinstalação “Translucence”, na Rampa.

Sessões competitivas

A competição desta 15.ª edição reúne 10 sessões, com 27 filmes oriundos de 17 diferentes países, organizados em diferentes zonas temáticas.

Vidas e Lugares centra-se em habitats e biografias; Memória e Arquivo é dedicada à apropriação poética de testemunhos; e Ligações está focada em dinâmicas interpessoais. A competição inclui ainda uma sessão dedicada à Ficção & Animação e a nova secção Fotografia em Movimento.

As sessões competitivas apresentam filmes de diferentes geografias e abordagens, acompanhados, em vários casos, por momentos de conversa com os realizadores.

“Private collection”

O ciclo performativo Private Collection regressa à Casa Comum, explorando a performatividade através de arquivos pessoais e memórias e questionando as fronteiras entre realidade e ficção.

A edição de 2026 reúne três propostas: “Antes do Fogo”, de Tânia Dinis, que parte de fotografias de família, filmes domésticos e memórias ligadas ao trabalho industrial e à imigração; “Shadow Control”, de Agnieszka Janasik e Artur Janasik, que aborda mecanismos invisíveis de controlo e condicionamento social, cultural e interno; e “Dusty Blues, Flashes of White”, de Rossana Mendes Fonseca e Diogo Alves Pinto, que cruza música autobiográfica e arquivo pessoal.

“Masterclasses” e conversas

O programa de “masterclasses” reúne Alan Berliner, Susana de Sousa Dias, Alisa Lebow e Efrén Cuevas.

Alan Berliner apresenta a masterclass “Think Like a Filmmaker”, enquanto Susana de Sousa Dias conduz “Nos limites do visível e do audível”, a partir do seu trabalho com imagens de arquivo e testemunhos. A investigadora e cineasta Alisa Lebow apresenta a masterclass “Diálogos no Tempo: Um Relato na Primeira Pessoa”, dedicada ao “efeito de arquivo” no cinema de primeira pessoa, acompanhada pela sessão do seu filme “Treyf” (1998). Por sua vez, Efrén Cuevas conduz a masterclass “Filmes de arquivo: definição, práticas contemporâneas e apropriação cinematográfica”, dedicada ao fenómeno dos filmes domésticos e à sua apropriação no cinema documental.

O foco em Alan Berliner inclui ainda uma conversa com o cineasta conduzida por Efrén Cuevas.

Oficina infantil e “workshops”

A programação inclui também propostas dirigidas a diferentes públicos. Para crianças dos 6 aos 11 anos, Tânia Dinis orienta a oficina Projeções Imperfeitas, no Batalha Centro de Cinema.

Ao longo de 90 minutos, os participantes experimentam com 16mm, Super 8 e retroprojetores, explorando cor, luz, som e montagem. O trabalho desenvolvido resulta numa criação coletiva de cinema-performance, apresentada no final da oficina.

Lançamento de livro de Filipe Martins

O programa inclui o lançamento de “Repetição e Acaso no Cinema: Elementos para uma abordagem fenomenológica à estética cinematográfica”, de Filipe Martins, no dia 17 de outubro, às 15h30, no Bar High Life, no Batalha Centro de Cinema.

Em “Repetição e Acaso no Cinema”, Filipe Martins propõe uma leitura da estética cinematográfica a partir da tensão entre a intencionalidade autoral e o realismo. A fenomenologia fornece as ferramentas para entender o cinema não apenas como técnica, mas também como um processo poético que depende da mediação entre a ordem congeminada pelo autor e a abertura à orfandade do mundo real.

Exposição e vídeo-instalações

A programação expande-se para outros espaços da cidade através de propostas expositivas e instalações.

Na Rampa, Alan Berliner apresenta “Translucência”, uma videoinstalação integrada no seu “Think Like a Filmmaker”, no qual procura dar uma nova vida à minha coleção de antigas ferramentas e materiais cinematográficos. A inauguração está marcada para terça-feira 13 de outubro às 18h30. A videoinstalação estará patente de 14 a 17 de outubro entre as 15h00 e as 19h00.

O programa inclui ainda a instalação “C[ode”, de Peter Freund no Instituto. Esta peça é parte do projeto “Lost Grids: or How to Explain Digital Media to a Dead Socialist”, que explora a relação entre a superfície especular da imagem de arquivo e a profundidade digital e algorítmica. A instalação inaugura na segunda-feira 12 de outubro pelas 17h30 no Instituto. Durante a semana do festival estará patente de 14 a 16 de outubro entre as 10h00 e as 18h00.

A exposição “Dezoito imagens para ver o tempo passar”, de Clara de Cápua, apresentada no Aro Estúdio, parte de uma fotografia de grupo/família e desenvolve progressivamente o seu recorte ao longo de 18 reproduções, trabalhando ideias de desaparecimento, presença e ausência. A inauguração está marcada para a segunda-feira 12 de outubro pelas 21h15. A exposição estará patente no Aro Estúdio entre os dias 13 e 16 de outubro entre as 15h00 e as 18h00.

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