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Vagas do curso de português para funcionários da ONU esgotam em 24 horas

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As vagas para um curso de português destinado a funcionários das Nações Unidas esgotaram em menos de 24 horas, segundo a ONU News, numa iniciativa resultante da parceria entre a organização e o Governo de Portugal.

A língua portuguesa começou a ser ensinada esta segunda-feira, pela primeira vez, a funcionários da organização, no curso regular de idiomas estrangeiros da ONU, em Nova Iorque, ao lado dos seis idiomas oficiais da organização: árabe, chinês, inglês, francês, russo e espanhol.

A iniciativa é destinada a diplomatas, funcionários e associados da organização e o número de inscrições em tempo recorde surpreendeu até mesmo os professores do Instituto Camões, que ministrarão as aulas, de acordo com a plataforma ONU News.

“Pelo que nos foi dito, há até uma lista de espera. Neste momento, nós iríamos começar com 15 alunos por cada turma, e vamos começar a ter 18 alunos”, disse a professora Carla Gomes da Silva, que assumirá as turmas de Português Nível 1, para principiantes, admitindo a possibilidade de alargamento das turmas no futuro.

“Há realmente muito interesse. E eu penso que o interesse virá dos profissionais daqui da ONU, que realmente querem ter outra ferramenta, que é a língua portuguesa, para trabalhar na cooperação, para conversar uns com os outros”, acrescentou a docente.

Segundo os organizadores, é a primeira vez que uma língua não-oficial da ONU será compartilhada pela Unidade de Treino de Língua e Comunicação da ONU. 

O representante e coordenador do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua nos Estados Unidos, João Caixinha, explicou que o projeto surgiu da estratégia de implementar mais cursos de português em organizações internacionais.

“É muito importante que o português tenha uma presença cada vez mais forte junto das Nações Unidas. Até porque não é ainda uma língua oficial [da ONU], e isto também permite que nós possamos alavancar o nível que queremos para promoção da língua portuguesa junto das organizações internacionais”, disse Caixinha, em entrevista à ONU News.

A língua portuguesa já é ensinada a crianças, há vários anos, como disciplina opcional, na Escola das Nações Unidas em Nova Iorque, aberta a filhos de diplomatas e outros estudantes.

Este primeiro curso de português para adultos na ONU é coorganizado pelo Escritório do Departamento de Apoio Operacional das Nações Unidas. Já o Governo português delegou ao Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, a tarefa de ensinar o idioma.

Os esforços para tornar o português uma das línguas oficiais das Nações Unidas continuam em marcha, mas o investimento financeiro exigido “é imenso”, disse à Lusa, em 2023, a ex-embaixadora de Portugal na ONU Ana Paula Zacarias.

Também em 2023, o Tribunal Centro-Americano de Justiça já havia proposto ao Conselho de Segurança da ONU incorporar o português como idioma oficial da organização, a par do inglês, espanhol, francês, chinês, russo e árabe.

 Em 2024, o secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou a criação de uma secção dedicada a livros de língua portuguesa na biblioteca das Nações Unidas, destacando ainda a importância do idioma como “força unificadora” que transcende fronteiras.

Na ocasião, Guterres indicou que o português é já uma língua de trabalho em algumas agências da ONU, destacando o serviço de língua portuguesa da ONU News, em conjunto com as equipas de redes sociais e dos Centros de Informação e Escritórios Regionais Lusófonos da ONU, a evidenciar “a crescente procura de informação em português”.

A língua portuguesa não só é uma das línguas mais difundidas no mundo, com mais de 260 milhões de falantes espalhados por todos os continentes, como é também a língua mais falada no hemisfério sul, de acordo com dados da UNESCO.

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