Luís Montenegro falou ao país, mas não trouxe nada de novo. Aliás, aquilo a que assistimos foi, em boa medida, uma espécie de troça aos portugueses.
Estrategicamente, começou pela crise da habitação, como se esta fosse a sua grande preocupação, deixando para segundo plano as consequências das acampadas, marcadas pelas bastonadas sobre manifestantes, pelos feridos e pelas controvérsias em torno da actuação policial.
Dizer que convidou os dois maiores partidos para conversar sobre habitação é, no mínimo, uma declaração tardia. Era algo que já deveria ter feito há muito e, de preferência, com todos os partidos. A habitação não é propriedade política de dois partidos, nem um problema que se resolva com conversas entre os maiores.
Depois, foi o habitual: número, generalidades, autojustificação e defesa de uma política que continua a não responder às reais necessidades dos portugueses. Uma política imprópria para quem precisa de viver com dignidade e imprópria para Portugal.
E, quando Montenegro quer finalmente mostrar interesse em responder às necessidades de quem não tem acesso a uma habitação condigna, fica por esclarecer a quem tem servido, afinal, a política que tem seguido. Porque os mais favorecidos e os mais ricos continuam a ter razões para estar satisfeitos, enquanto os verdadeiros necessitados continuam à espera. A construção não aumenta, as rendas continuam a subir e o acesso à habitação permanece fora do alcance de muitos.
Enfim! Mais uma comunicação ao país para dizer muito sem verdadeiramente responder a coisa alguma. Montenegro falou. Os portugueses continuam à espera.
Mário Adão Magalhães
(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico).
