A produção de castanha na ilha Terceira, nos Açores, foi reduzida, este ano, devido à praga da vespa-das-galhas-do-castanheiro, não havendo quantidade suficiente para entrega na cooperativa Fruter, revelou o seu presidente.
“Do que me dizem alguns produtores com que falei, na zona da Terra Chã e mesmo nos Biscoitos, a produção é praticamente para autoconsumo e pouco mais”, adiantou, em declarações à agência Lusa, o presidente da Fruter, Paulo Rocha.
Num ano bom, a cooperativa recebia entre três a quatro toneladas de castanhas, sobretudo da variedade Viana, que é mais comum na ilha Terceira.
“Nós chegávamos a mandar muita castanha para São Miguel. Recebíamos aqui várias toneladas de castanha, mas, nos últimos anos, a produção tem vindo diminuir gradualmente”, revelou o responsável da cooperativa.
Entre 2020 e 2025, houve uma quebra de 90% na castanha entregue na cooperativa, atribuída sobretudo à praga da vespa-das-galhas-do-castanheiro.
“Isto já se vem a agravar há alguns anos. Primeiro detetou-se uma doença, que era a ‘Gnomoniopsis [smithogilvyi]’, e depois com as vespas-das-galhas-do-castanheiro as coisas vieram-se cada vez mais a complicar”, explicou Paulo Rocha.
A praga foi detetada pela Fruter, em 2020, em castanheiros importados, numa exploração na Praia da Vitória.
Os Serviços de Desenvolvimento Agrário da Ilha Terceira foram alertados e, em colaboração com a Universidade dos Açores, foram estudadas soluções para o problema, mas só em junho deste ano começou a ser introduzido um parasitoide, que ataca a praga.
O presidente da Fruter compreendeu que tivesse havido “algum cuidado” com a introdução do parasitoide, tendo em conta o clima dos Açores, mas apelou a que agora sejam feitas “várias largadas” deste organismo e uma monitorização da praga na ilha.
“É um trabalho que já foi efetuado na Madeira e no continente, só que tem de ser um trabalho contínuo e que leva vários anos. É preciso que o processo continue e é preciso também que as pessoas renovem os pomares, porque uma árvore jovem tem sempre mais resistência às doenças”, salientou.
Segundo Paulo Rocha faltam também viveiristas que façam enxertias das variedades de castanha que existem na Terceira.
“Há um plano para o desenvolvimento da fruticultura, esperemos que daí saiam alguns incentivos tanto à produção como à replantação. Acho que era importante também haver algum apoio à formação de viveiristas, para nós não perdermos a variedade da castanha Viana”, concluiu.