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Ensino de português no estrangeiro – Intervenção na Comissão Nacional do PS

Caro Secretário-Geral,

Caro Presidente,

Caras e caros membros da Mesa,

Começo por uma nota pessoal: nasci fora de Portugal. Vivi toda a minha vida fora do país.

E foi através da rede oficial do ensino de português no estrangeiro que aprendi a nossa língua e mantive, desde cedo, uma ligação forte com Portugal.

Esta rede foi brutalmente atacada pelo atual Governo no mês de maio, levando professores e leitores a lançar uma petição inédita que, felizmente, conseguiu limitar os danos.

Preservar esta rede é fundamental. Mas precisamos agora de transformar essa defesa numa visão de futuro para o país. Precisamos de uma mudança de paradigma: deixar de olhar para esta realidade apenas como uma obrigação constitucional e passar a vê-la como uma oportunidade única para Portugal.

Para isso, temos de repensar profundamente esta rede, exatamente como foi feito há 20 anos, para que o atual modelo não fique irremediavelmente obsoleto.

E é aqui que temos de olhar para a Diáspora de outra forma.

A Diáspora é Portugal no mundo.

É a família que fala português em casa. É o jovem que cresce entre duas culturas. É o investigador que trabalha numa universidade internacional. É o empresário que abre mercados. É o profissional que representa Portugal onde quer que esteja.

Por isso, não podemos olhar para os filhos dos portugueses no estrangeiro apenas como destinatários de uma política cultural. Eles são também um ativo estratégico de Portugal.

Ensinar português à Diáspora não é apenas ensinar uma língua. É construir uma ligação a Portugal.

Muitas vezes é numa sala de aula que tudo começa. Cada aluno pode ser o primeiro elo de uma ligação com Portugal que dura uma vida inteira. Amanhã, esse aluno pode ser investigador, empreendedor, investidor ou diplomata – alguém que cria conhecimento, abre mercados, atrai investimento ou projeta Portugal no mundo.

É assim que podemos passar da fuga de cérebros para a circulação de cérebros. Um português que parte não tem de ser um português que perdemos. Pode levar Portugal consigo e, onde quer que esteja, continuar a contribuir para o seu futuro.

É esta a visão que devemos ter para a nossa rede de ensino de português no estrangeiro: não apenas ensinar português, mas criar uma rede que aproxima pessoas, conhecimento e oportunidades, e que torna Portugal mais presente no mundo.

O Partido Socialista deve assumir esta ambição: uma Diáspora mais ligada, uma língua mais forte e um Portugal mais influente.

Não queremos apenas portugueses que tenham saudades de Portugal. Queremos portugueses que tenham projetos para Portugal.

Porque onde está um português, está Portugal.

Pedro Rupio

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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