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Pedro Pacheco explica missão pouco conhecida de um adido de Segurança Social

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Pedro Vasco Pacheco é adido de Segurança Social de Portugal em França e o convidado do segundo episódio do podcast BOM DIA Diplomacia. Numa conversa que vai muito além da sua função, fala sobre o trabalho que desenvolve junto da comunidade portuguesa, os desafios de articular com o complexo sistema de Segurança Social francês, a experiência de viver e trabalhar em França e também sobre o homem por detrás do cargo.

Questionado sobre o que significa, na prática, ser adido da Segurança Social, Pedro explica que “a resposta institucional seria: um técnico (não é diplomata) que representa o Instituto da Segurança Social (ISS) no estrangeiro”, no seu caso, em França. De forma mais simples, esclarece que “o adido é uma ligação direta aos serviços da Segurança Social de Portugal”, prestando informação e aconselhamento prático aos beneficiários da Segurança Social Portuguesa em França (independentemente da sua nacionalidade) sobre prestações, pensões, carreiras contributivas, regresso a Portugal, entre outros temas.

Apesar de lidar diariamente com problemas muito concretos da vida de milhares de portugueses, Pedro Pacheco admite que a função de adido de Segurança Social “ainda é um pouco desconhecida”, apesar de ser um serviço “quase único ao nível internacional (apenas a Espanha tem uma função similar, mas com menor alcance e sem acesso direto aos SI)”.

O trabalho do adido estende-se também à área da Segurança Social, através do apoio ao Instituto da Segurança Social (ISS) e ao Centro Nacional de Pensões na articulação com as instituições francesas. Esta cooperação tem contribuído para tornar mais rápidos e eficientes os processos que envolvem os dois países, tendo permitido, no caso das pensões, reduzir em mais de 90% as pendências com mais de um ano. Os portugueses constituem atualmente o segundo maior grupo de pensionistas estrangeiros em França, apenas atrás dos argelinos.

A par deste trabalho de articulação institucional, o adido participa ainda na divulgação de informação junto da comunidade portuguesa em França, nomeadamente através de campanhas sobre questões como o registo das contas bancárias e a futura implementação da prova de vida, prevista a partir de 2027.

Mas a cooperação entre Portugal e França nesta área não se fica pela articulação entre instituições e passa também pelo contacto direto com os cidadãos. É nesse âmbito que se inserem as Jornadas Internacionais de Pensões, um evento conjunto das instituições dos dois países que regressa a Paris pelo segundo ano consecutivo, entre 3 e 5 de novembro, permitindo aos cidadãos obter acompanhamento presencial relativamente a questões relacionadas com as suas pensões.

Entre as situações que mais o preocupam estão os casos de pensionistas da França que vivem fora de França e que, por alguma falha no processo anual de prova de vida, ficam com os pagamentos suspensos. “Estamos a falar de situações em que muitas vezes esse é o único rendimento que têm, ou seja, a pessoa, de repente, vê-se numa situação de carência. São as situações mais complicadas”, explica. Para tentar responder a estes casos, Pedro Pacheco, com o apoio da embaixada de Portugal em Paris, estabeleceu contactos com várias caixas francesas, tendo conseguido criar interlocutores em nove das cerca de 42 instituições identificadas.

Durante a conversa, fica claro que a proximidade com a comunidade é uma das características que mais valoriza na sua missão. Pedro considera que os portugueses têm uma imagem muito positiva em França e fala dos emigrantes portugueses (que se estima serem mais de um milhão e meio) como uma espécie de “emigrante-modelo”, pela forma como se integram, trabalham e cumprem as regras.

Por outro lado, entre os problemas mais frequentes por parte dos portugueses estão também as dificuldades de compreensão dos idiomas e das regras da Segurança Social portuguesa e francesa, os prazos de tratamento das pensões francesas (em particular as de sobrevivência) e, do lado português, situações relacionadas com carreiras contributivas antigas. Em alguns casos, essas carreiras revelam descontos inferiores ao esperado, por falta de pagamento das contribuições na altura. Pedro explica que muitos trabalhadores raramente verificavam os seus registos contributivos antes de emigrar para França.

Mas é quando a conversa entra num registo mais pessoal que o episódio ganha outra dimensão. Pedro conta que nasceu em Lisboa em 1975, viveu dez anos em Macau antes de regressar a Portugal para estudar Direito. Depois de uma década no Instituto Nacional de Administração, entrou para a Segurança Social convencido de que seria apenas uma passagem. Acabou por descobrir um trabalho de que gostava, sobretudo pela possibilidade de estar próximo das pessoas. Em 2019, quando surgiu o projeto dos adidos de Segurança Social, candidatou-se e acabou por aceitar o desafio de trabalhar em França.

Quando confrontado com uma escolha rápida (Paris ou Lisboa?), a resposta surgiu com algum equilíbrio: “Paris para trabalhar e Lisboa para viver.” Questionado sobre um hábito francês que acabou por adotar, Pedro não hesita: “Um de que não gosto muito é o comer pão; o pão aqui é muito bom”, brinca.

No que toca à gastronomia preferida, excluindo a portuguesa, a sua resposta é, sem surpresa, influenciada pelos dez anos vividos em Macau: a cozinha asiática, particularmente a tailandesa.

Hoje, admite que a experiência internacional continua a fazer parte dos seus planos. Quando a missão em França terminar (dentro de cerca de dois anos), não se imagina a regressar à função que desempenhava anteriormente em Portugal: “A área das relações internacionais é a minha área de aptidão. Vamos ver o que é que o futuro me reserva.”

Fora do trabalho, pratica vários desportos, gosta de viajar e regressa regularmente a Portugal para matar saudades da família, dos amigos, das praias e, naturalmente, da comida.

Aos 51 anos, Pedro Pacheco diz que, se tiver saúde e continuar a poder fazer um trabalho de que goste, gostaria de trabalhar “pelo menos até aos 70 anos”. Não se imagina, aliás, numa reforma tradicional: “Eu não me vejo a aposentar no sentido clássico de pedir a reforma e ir descansar. (…) Não sou o tipo de pessoa de ficar parado no sofá, sou muito mais irrequieto e dinâmico, gosto de estar a fazer coisas”.

A ideia é reforçada por uma reflexão que acaba por resumir também a forma como encara a própria vida: “É importante ir aproveitando a vida enquanto a estamos a viver e não deixar tudo para um momento final em que a gente não sabe o que vai acontecer.”

A conversa completa com Pedro Pacheco pode ser vista e ouvida no segundo episódio do BOM DIA Diplomacia, disponível nas plataformas digitais do BOM DIA, no YouTube, Spotify e Apple Podcasts.

Para quem necessitar de contactar Pedro Pacheco, a forma mais fácil será através do e-mail () ou, em alternativa, pelo site do Instituto da Segurança Social ou dos consulados de Portugal em França.

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