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A verdadeira força também se mede pelo respeito

© Luís Vieira Cruz / BOM DIA

O desporto precisa de atletas determinados, competitivos, corajosos e emocionalmente fortes. Mas será que continuamos a confundir força com agressividade? Competitividade com intimidação? Vontade de vencer com a necessidade de nos impormos sobre os outros?

Um atleta emocionalmente forte não é aquele que grita mais ou procura intimidar o adversário. A verdadeira força revela-se também na capacidade de controlar as emoções, aceitar uma decisão com que não concordamos, lidar com a frustração de uma derrota e reconhecer os próprios erros. A agressividade não é sinónimo de coragem. A violência não é sinal de competitividade. E a falta de respeito nunca deve ser confundida com paixão pelo desporto.

Competir implica intensidade, confronto, tensão e vontade de vencer. Tudo isso faz parte do desporto. O problema começa quando se ultrapassam limites e se desculpam comportamentos com expressões como «faz parte do jogo» ou «é preciso ter raça». Nem tudo faz parte do jogo. E a vontade de ganhar não justifica tudo.

É aqui que a ética assume um papel decisivo. Revela-se sobretudo quando perdemos, quando estamos frustrados, quando discordamos de uma decisão ou quando o resultado não corresponde às expectativas. É nesses momentos que os valores deixam de ser palavras e passam a ser atitudes.

Esta responsabilidade não pertence apenas aos atletas. Treinadores, dirigentes, clubes e famílias também educam pelo exemplo. Não podemos exigir autocontrolo aos jovens se os adultos à sua volta respondem com insultos, ameaças ou comportamentos agressivos. Não podemos pedir respeito pelo adversário quando, nas bancadas, desvalorizamos quem está do outro lado.

As crianças aprendem tanto com aquilo que lhes dizemos como com aquilo que observam. Formar atletas é também ajudá-los a gerir emoções, lidar com a frustração, resolver conflitos e perceber que o adversário não é um inimigo: é alguém que merece competir com dignidade e segurança.

Que mensagem transmitimos quando desculpamos uma atitude violenta porque aquele atleta é importante para a equipa ou porque o resultado assim o exige?

O desporto não perde competitividade por ser mais ético, nem intensidade por exigir respeito. Não precisamos de atletas menos competitivos. Precisamos de atletas que saibam competir sem perder os valores.

A vitória pode medir o resultado de uma competição, mas nunca deve justificar a falta de respeito. Formar atletas é importante. Formar pessoas é indispensável.

A ética não se proclama. Pratica-se. E a verdadeira força também se mede pelo respeito.

Vitor Santos

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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