Festival Guadiana aproxima Portugal, África e América Latina através da literatura
A presidente da entidade gestora de Évora_27 considerou sexta-feira que o festival literário afro-ibero-americano da cidade mostra que a literatura “está viva” e é “uma disciplina artística poderosíssima” para aproximar continentes e pessoas.
Em declarações aos jornalistas, à margem da abertura do 1.º Guadiana – Festival de Literaturas Afro-Ibero-Americanas, que decorre até domingo na cidade, Maria do Céu Ramos, presidente da Associação Évora 2027, gestora da Capital Europeia da Cultura (CEC) Évora_27, argumentou que a literatura “é um oceano de possibilidades artísticas”.
“O nome que o curador [do festival] escolheu para este projeto, Guadiana, simboliza esta raiz comum de água, esta matéria que é fluxo de união entre Espanha e Portugal” e “que nos leva até à Ibero-América e a África, com a nossa língua portuguesa [e] com a língua espanhola, ampliadas pelo tempo, revistas na imaginação de cada um dos autores”, continuou.
Segundo Maria do Céu Ramos, o festival literário Guadiana constitui “um espaço aberto ao encontro da Europa com África e com a América Latina”.
“E é uma demonstração de que a literatura está viva e é uma disciplina artística poderosíssima, não apenas para aproximar continentes, escritores e leitores, mas para aproximar pessoas, para estimular a imaginação e ajudar cada um de nós a encontrar o seu lugar no mundo”, argumentou.
Aludindo ao festival que arrancou sexta-feira no Teatro Garcia de Resende, com a participação de 28 autores, oriundos de nove países, a presidente de Évora 2027 afiançou que é “um pilar estruturante” do livro de candidatura que granjeou para a cidade alentejana o ‘selo’ de Capital Europeia da Cultura.
“Quando propusemos este projeto dentro do livro de candidatura de Évora_27 pensámos em abrir a Europa ao mundo através dos livros, das várias correntes de escrita que estão subterrâneas a este Oceano Atlântico que nos aproxima”, referiu.
E por isso, o que se pretende com o evento literário “é criar um grande espaço” para esta disciplina artística e cultural que é a literatura, frisou.
E, acrescentou, “aproximar as culturas que, tendo raiz nesta Península Ibérica, são de tês continentes e aproximam escritores, leitores e vários géneros literários, do ensaio à poesia e à ficção”.
Questionada sobre qual a marca que espera que seja deixada pelo festival literário, que vai ter segunda edição em outubro do próximo ano, em plena Évora_27, Maria do Céu Ramos escolheu “a marca da continuidade”.
O festival, precisou, “tem estrutura e ambição para ter um novo fôlego, isto é, para não se esgotar na Capital Europeia da Cultura no ano de 2027 e poder ficar no seu legado pós-27”.
“É muito importante o que fica daquilo que se passa e, portanto, o festival Guadiana, durante uns dias, vai estar aqui, aproximando escritores, leitores, pensando a escrita, mas a grande ambição é que possa repetir-se, consolidar-se e fazer parte de um legado que enriqueça a paisagem cultural de Évora e da região”, vincou.
Já o presidente da Câmara de Évora, Carlos Zorrinho, considerou “muito importante” o festival e argumentou que “a literatura e o vagar [mote de Évora_27] são irmãos gémeos”.
“A nossa cultura decorre muito de um cruzamento entre o Atlântico Sul e o Mediterrâneo, a ligação à América do Sul, aos países ibero-americanos, a ligação a África”, disse, defendendo ser “muito positivo” acolher estes escritores em Évora, para demonstrar o potencial de uma cidade que já é “capital da cultura”, mas que, em 2027, vai ter “a particularidade de ser capital europeia da cultura”.
O Guadiana – Festival de Literaturas Afro-Ibero-Americanas, que tem como curador António Sáez Delgado, escritor e tradutor espanhol, professor e atual vice-reitor para a Cultura e Sociedade da Universidade de Évora (UÉvora), está integrado na programação da CEC Évora_27.
Organizado por Évora_27, UÉvora e Cátedra de Estudos Ibéricos da academia alentejana, o certame inclui mesas de conversa, música, oficinas de desenho e literatura, uma sessão de ‘spoken word’ e momentos de encontro entre autores e leitores.