Hoje morreu Maria João Carneiro, de 24 anos, bombeira dos Bombeiros Voluntários de Resende, vítima de um acidente durante o combate a um incêndio. Estava em missão. Há poucos dias, tinha morrido Beatriz Cunha, de 25 anos, bombeira dos Bombeiros Voluntários da Feira, vítima de doença prolongada. Duas jovens bombeiras, vidas dedicadas a ajudar os outros.
Não podemos ficar indiferentes por perecimentos. Não podemos ficar indiferentes pelo perecimento de gente jovem. Não podemos ficar indiferentes pelo perecimento de bombeiros. Aqueles que nos amparam, nos socorrem. Muito menos podemos ficar indiferentes ante a morte destas jovens bombeiras. De gente jovem dedicada à causa humanitária.
Porque, num tempo de falta de empatia, de falta de sensibilidade, de falta de cuidado, de falta de atenção e de memória; ante a valorização do desinteressante, do balofo, do tosco, do nefasto à sã mentalidade e à vida comum, nós, pura e simplesmente, não podemos ficar indiferentes ante o perecimento da Maria João, nem da Beatriz.
Temos de sentir muito. Porque, num mundo quase perdido, onde se valoriza o que vulgariza os nossos dias, o que é balofo, tosco, vazio, o que é nefasto à nossa vida, estas jovens, gente como elas, gente dedicada aos outros e a causas humanitárias, são quem ainda nos dá esperança. Quem nos faz acreditar.
Porque, ante tudo aquilo e todos aqueles que contribuem para vulgarizar e estupidificar a vida, há quem a dignifique. Há quem cuide, socorra, ajude, esteja presente. Há quem dê de si aos outros. São elas, e gente como elas, que nos dão esperança, que nos fazem acreditar.
São a nossa reserva. Moral. E tudo.
Mário Adão Magalhães
(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico).
