O futebol de hoje vive numa vertigem e exposição permanente que tudo engloba sem contemplações.
Os últimos dias e acontecimentos trouxeram exemplos de como essa exigência e constante solicitação que requerem resultados sempre em alta podem levar figuras como o “nosso” Cristiano Ronaldo, a níveis de reação que podem levantar questionamentos, à primeira vista quase impossíveis de imaginar.
Temos no mesmo episódio um treinador com a dimensão de Jorge Jesus envolvido num ato que possivelmente nem o próprio ainda entendeu a dimensão.
Ou mesmo a própria estrutura da Federação Portuguesa de Futebol que leva a uma perceção pública que parece que ficou sem a mínima ideia do que significa liderar, gerir e comunicar sob pressão extrema.
Mas se retirarmos o alarido destes últimos dias, as polémicas e o consumo rápido das redes, que lições nos deixam estas dinâmicas?
Primeiro, a gestão da complexidade e dos egos.
Colocar numa mesma equação atletas geracionais, treinadores de forte convicção identitária e instituições que representam um País inteiro exige mais do que regulamentos ou autoridade formal.
Exige uma inteligência que olhe para o contexto de forma apurada. A liderança consensual não se impõe pelo ruído e confronto, muito menos pela cedência cega…
Exerce-se através da criação de pontes onde a exigência individual máxima serve o propósito coletivo, sem que a instituição perca o seu poder.
Dito desta forma até parece fácil, não é, mas é possível e desejável.
Segundo a maturidade na comunicação e nos média.
Comunicar não é apenas reagir ao ciclo de acontecimentos, é assumir de que forma se encara e antecipa o que se quer comunicar.
A comunicação institucional ou pessoal que se permite ser arrastada pelo ruído, perde clareza e autoridade.
Os média amplificam o conflito porque esse é o seu poder e tempo de antena, cabe aos líderes introduzirem serenidade onde há agitação e estratégia antes do ruído. Quem lidera tem de dominar o tempo da palavra.
Terceiro, a responsabilidade do exemplo.
No desporto de alto rendimento, cada gesto, cada declaração, cada decisão deixam uma imagem, um rótulo profundo….
O futebol não é indiferente ao peso que tem na sociedade…
Além dos contratos milionários, das vitórias, dos títulos conquistados, dos títulos nas redes sociais, existe uma bancada invisível que observa em silêncio….
Que absorve como uma esponja tudo o que a liga emocionalmente ao desporto, são os nossos jovens que calçam as chuteiras pela primeira vez, que procuram nos seus ídolos referências de postura de comportamento, exemplo de superação e integridade.
A maior vitória que a liderança desportiva de alto rendimento pode alcançar é garantir que a imagem devolvida aos mais novos seja a da nobreza de carácter, da honra perante a vitória e a derrota, e da convicção inegociável de que vale sempre a pena continuar a sonhar.
Pedro Paralta_04102026
